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Vale do Minho

Rio Minho: Lampreia atinge preço RECORDE – “Muitos tentam pescar e não pescam nada!”

10 Janeiro, 2024 - 15:16

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Ciclóstomo cada vez mais escasso no rio Minho.

“Está péssimo”. Foi assim que, em tom preocupado, o Presidente da Associação Profissional de Pescas do Rio Minho e Mar descreveu à Rádio Vale do Minho os primeiros dias de pesca profissional da lampreia naquele curso de água.

 

“Normalmente, por esta altura, costumam sair poucas. Mas este está a ser um ano mesmo muito mau. Colegas meus tentam pescar e não pescam nada”, contou Rui Castro.

 

Antevê-se mais um ano de escassez do ciclóstomo. Possivelmente ainda pior que no ano passado.

 

À Rádio Vale do Minho já chegaram testemunhos de quem já tenha visto, em Caminha, lampreias do rio Minho a 100 euros cada uma.

 

“É possível. O valor do peixe depende muito da quantidade”, prosseguiu Rui Castro. Este, ao que parece, não será de todo um ano de fartura.

 

 

Carpa pode ser uma das principais culpadas

Em 10 anos, o rio Minho pode ficar um autêntico vazio de lampreias, ciclóstomo que constitui um dos mais emblemáticos pratos da gastronomia raiana.

 

O aviso, conforme noticiou a Rádio Vale do Minho, foi deixado no ano passado pelo Presidente da Associação de Pescadores da Ribeira Minho.

 

A previsão de David Sanches assenta não só no fator poluição como também noutro problema de dimensão semelhante (ou maior) que pode provocar a extinção total de lampreias neste curso de água: as espécies invasoras.

 

“O rio Minho tem vários peixes desde a sua origem que são a lampreia, o sável, o salmão, a enguia… ente outros. Só que apareceu, e infelizmente ninguém faz nada por isso, a carpa [Cyprinus carpio], alertou o responsável.

 

David Sanches já chegou mesmo a propor uma “batida” a esta espécie, “tal como se faz ao javali”.

 

 

 

Carpa pode ter responsabilidades na escassez de lampreia no rio Minho

[Imagem: DR]

 

 

 

“São autênticos peixes devoradores. Tudo o que é criação vai tudo! Se nós continuarmos a manter este tipo de peixe no rio, mais cedo ou mais tarde as lampreias desaparecem. Este peixe devora tudo!”, exclamou.

 

Uma das razões que tem vindo a ser apontada este ano para a escassez de lampreia é o excesso de água doce na foz do rio Minho. Mas pode não ser só isso.

 

“A lampreia sobe o rio e desova. Depois tem de voltar para o mar… e no caminho para o mar…”, respondeu David Sanches sem acabar a frase, convicto de que os jornalistas perceberam.

 

Rui Castro concorda com esta perspetiva.

 

“Uma espécie dessas pode destruir centenas de lampreias bebés no seu caminho para o mar”, disse.

 

No rio Minho há cerca de 150 embarcações portuguesas e cerca de 60 espanholas a pescar lampreia, cuja faina segue até meados de abril.

 

 

[Fotografia capa: Ilustrativa/DR]

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