Corria o dia 18 de agosto de 2019 quando a imagem da Virgem das Dores passou na Rua 25 de Abril, durante a Procissão Solene. Longe de todos os que ali estavam de imaginar o que iria suceder nos dois anos seguintes.
Aquela artéria, assim como a Praça da República, encontravam a renovar-se. A requalificação urbana do centro histórico de Monção estava na altura a incidir sobre aquela zona.
As obras na Rua 25 de Abril tinham arrancado em fevereiro desse ano. Entretanto, no ano seguinte, chegou a pandemia e a Procissão Solene em honra à Virgem das Dores não pôde realizar-se (em 2021 também não se realizou). Mas os trabalhos não pararam e a nova 25 abril foi dada por concluída em outubro.
Em 2019, a Rua 25 de Abril encontrava-se ainda em plena requalificação
[Fotografias: Rádio Vale do Minho]
A nova 25 de Abril destacava-se desde logo pela escadaria numa das extremidades. No entanto, o maior trunfo até acabou por aparecer no decurso dos trabalhos: dois muros paralelos datados do século XIII ou XIV que terão sido uma passagem na fortaleza.
“Foi uma sorte. Na altura deu-me algumas dores de cabeça, dado que existiam timings a ser cumpridos. Mas aquilo que passou a ser um obstáculo passou ser uma oportunidade”, disse na altura o presidente da Câmara, António Barbosa.
“Acabou por dar um aspeto ainda mais brutal a esta rua, dado que conta muito da história dos nossos antepassados”.
Iluminação embutida no solo, bancos em pedra e luminárias em estilo parisiense levantam já o pano de um local romântico e propício a bons momentos de conversa.
“Fazer este tipo de obras é deixar uma marca. Não a marca do fui eu que fiz mas uma marca no sentido de dar a entender a paixão que colocamos diariamente no nosso trabalho”, prosseguiu Barbosa.
“Mas disse sempre que terei muito orgulho em ver um dia os meus filhos passarem por esta rua e dizerem que «foi o meu pai que contribuiu para fazer esta obra». Como qualquer monçanense, sinto esta terra como ninguém!”.
De realçar ainda uma nova passagem pedonal entre esta artéria e a Avenida das Portas do Sol, em que um dos lados do túnel é parcialmente em pedra. A razão, apurou a Rádio Vale do Minho, prende-se com o facto de estarem também ali vestígios de uma edificação secular.
Os trabalhos nesta artéria foram adjudicados à empresa Armindo Afonso, Lda, pelo valor de 749.083,52 euros.
O programa das festas prossegue este domingo, que será o dia de maior carga religiosa. Pelas 18h00, acontece o regresso da Procissão Solene após suspensão de dois anos devido à COVID-19.
Mais à noite sobem ao palco Monção Brass e Gipsy Kings. A madrugada estará a cargo dos DJ’s Pette e Nuno.
Recorde-se que estas são as maiores festividades religiosas do concelho que regressam, em total normalidade, após dois anos de restrições devido à COVID-19.



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