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Melgaço

Melgaço: Romanos… gentes da idade média e até do paleolítico (todos num cortejo!)

21 Julho, 2023 - 20:02

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Melgaço em Festa.

É uma das grandes novidades da edição deste ano do Melgaço em Festa: um Cortejo Histórico.

 

Vai acontecer no próximo dia 12 de agosto.

 

Um desfile que irá integrar dezenas de participantes, certamente trajados a rigor, onde o objetivo passa por retratar a ocupação humana do concelho ao longo dos tempos. E quando falamos em tempos, queremos dizer centenas de milhares de anos.

 

Os primeiros registos de ocupação humana nas margens do rio Minho foram divulgados em 2017.

 

Conforme noticiou na altura a Rádio Vale do Minho, artefactos com 200 mil anos encontrados do lado de cá do rio mostraram que os humanos já por cá andavam no Paleolítico Inferior.

 

Artefactos com 200 mil anos encontrados nas margens do rio Minho apresentados em Melgaço

[Fotografia: Rádio Vale do Minho]

 

 

Este período estará incontornavelmente representado no cortejo. Assim como a Idade do Bronze, onde o ser humano também prosperou neste concelho.

 

Conforme conta o professor e investigador Valter Alves no blog Melgaço, Entre o Minho e a Serra, “no início do século XX, registaram-se em Melgaço um conjunto de importantes achados arqueológicos tais como o Castro da Cevidade e a estela sepulcral, ambos em Paderne, e o designado esconderijo morgeano, no lugar da Carpinteira, em S. Paio, entre outros”. 

 

“Foi em 1906 que se descobriu de forma acidental no lugar da Carpinteira (S. Paio) um conjunto de cinco machados da idade do bronze, provavelmente com cerca de 3 000 anos de antiguidade”.

 

 

Um general romano que levou 10.000 homens até Castro Laboreiro

A romanização é outro período que não poderia passar ao lado neste cortejo. Dos vários registos existentes da passagem dos romanos por Melgaço, uma das descobertas mais recentes reporta-se a Décimo Júnio Bruto.

 

Terá sido o general romano que, há aproximadamente 2.200 anos, terá comandado 10.000 homens e acampado durante vários meses na Lomba do Mouro, no planalto de Castro Laboreiro, em Melgaço.

 

Os primeiros resultados das intervenções arqueológicas naquele local, que têm vindo a ser feitas desde setembro do ano passado, foram apresentados em 2021 por João Fonte, investigador do grupo científico Romanarmy.eu.

 

Tudo terá começado com o já conhecido mito do esquecimentoÀ frente do enorme exército, o general romano parou nas margens do rio Lima. As tropas recusaram avançar.

 

Aquele era o rio então chamado de Oblívio. Acreditava-se que era o rio do esquecimento e, se atravessado, fazia com que a pessoa se esquecesse da sua identidade e da sua pátria.

 

O general romano, sem ponta de medo, decidiu atravessar. Tomou nas mãos o estandarte da legião. Cruzou o rio.

 

A partir da outra margem chamou os soldados um por um – pelo nome – para convencê-los de que não se tinha esquecido de nada e podiam atravessar para continuar a campanha militar.

 

Assim foi. O enorme exército seguiu para Norte. Encontraram o rio Minho e – diz-se – ficaram fascinados ao ver pela primeira vez o sol a pôr-se no oceano Atlântico.

 

Tiveram de combater vários povos. Entre eles, alguns mais aguerridos, como os brácaros. Tudo ficou ainda mais complicado quando os galaicos vieram em auxílio dos brácaros – mais de 60.000 homens.

 

Em vão. Embora em menor número, o conhecimento militar e a eficácia do exército comandado por Décimo Júnio Bruto depressa vieram ao de cima.

 

A vitória valeu ao general o agnome de Galaico – Decimus Iunius Brutus Callaicus.

 

Tornava-se necessário pacificar a região e submetê-la às leis de Roma. O exército procura o melhor local para acampar.

 

Evita caminhar pelos vales, devido ao perigo das emboscadas. Opta pelo cimo das montanhas e encontra o planalto ideal – a Lomba do Mouro.

 

10.000 romanos alcançaram Castro Laboreiro comandandos por Décimo Júnio Bruto

[Fotografias: DR]

 

 

 

Duas paredes de pedra com dois metros de espessura

A investigação arqueológica abrangeu uma área de 25 hectares. Foram desde logo encontrados vestígios daquilo que terão sido duas muralhas em pedra – uma interior, ao redor do acampamento; e outra exterior com propósito claro de reforçar ainda mais a defesa. 

 

“Foram rapidamente construídas tendo em conta o elevado número de homens existente”, elucidou João Fonte durante a sessão. “Tinham aproximadamente dois metros de espessura”.

 

Mas era necessário proceder à datação. 

 

“Foi usada a técnica pioneira da luminescência. Uma técnica que permite datar a última vez em que os cristais de quartzo foram expostos à luz do sol. A datação média permitiu aos investigadores obter os dados da fundação do século II antes de Cristo”, explicou, adiantando que as análises foram efetuadas por um grupo de investigação C2TN (Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares) do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

 

Tudo apontava, portanto, para a campanha levada a cabo por Décimo Júnio Bruto. Mas as novidades não se esgotavam aqui: eram os primeiros sinais daquele que poderá ter sido o acampamento romano mais antigo de Portugal e da Galiza. 

 

“Até agora, o acampamento romano mais antigo, também escavado pelo grupo científico romanarmy.eu, foi o de Penedo dos Lobos (Manzaneda, Ourense). Foram encontradas moedas ligando o recinto às campanhas de guerra conhecidas como Guerras Cantábricas, com a qual o imperador Octávio Augusto encerrou o processo de conquista da Hispânia”, explicou o investigador.

 

Este acampamento situa-se “numa zona de especial concentração de sepulturas megalíticas e foi descoberto através da tecnologia LiDAR fornecida pelo projeto espanhol PNOA- Plano Nacional de Ortofotografia Aérea”.

 

Mas quanto tempo é que os romanos permaneceram na Lomba do Mouro? João Fonte acredita que não terá sido muito, devido aos rigores climáticos.

 

No Cortejo Histórico do próximo dia 12 de agosto vão ainda estar representadas a Idade Média e a Idade Contemporânea.

 

Foi durante a Idade Média que Melgaço recebeu o Foral. 

 

Símbolo da autonomia municipal, atribuído por D. Manuel I, ao Concelho de Melgaço, a 13 de Novembro de 1513, na sequência da reforma dos forais antigos.

 

É, sem dúvida, uma preciosa fonte histórica, que, contêm a menção pormenorizada das propriedades e direitos da Coroa, dispersos pelas freguesias, então integradas no Concelho, bem como, a calendarização do pagamento das rendas.

 

 

Foral de Melgaço encontra-se preservado no Arquivo Municipal
[Fonte: Município de Melgaço]

 

 

A iniciativa faz parte do Melgaço em Festa, que arranca no dia 4 de agosto e se prolonga até dia 15 desse mês.

 

 

 

[Fotografia capa: Município Melgaço]

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