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“Milhares e milhares de portugueses despedaçados pelos ares”

9 Abril, 2018 - 18:40

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“Às quatro horas da manhã do dia 9 de Abril de 1918 rompe um enorme bombardeamento por parte do inimigo, coisa essa que nós, à primeira vista, não estranhámos, visto […]

“Às quatro horas da manhã do dia 9 de Abril de 1918 rompe um enorme bombardeamento por parte do inimigo, coisa essa que nós, à primeira vista, não estranhámos, visto que já estávamos habituados a tudo isso, mas o prazo desse bombardeamento foi-se prolongando e as horas foram-se passando, e já depois de o inimigo ter feito grandes tentativas para avançar para as nossas trincheiras e sempre repelido pelo nosso fogo, continua o grande bombardeamento com uma tal violência que ao fim de algumas horas o chão estava todo voltado com o debaixo para cima, um completo horror, é mesmo inexplicável. Milhares e milhares de infelizes portugueses tinham desaparecido, uns despedaçados pelos ares, outros tinham ficado soterrados para jamais serem vistos”.

Estas foram as palavras de um soldado português numa carta enviada à família, datada de 11 de julho de 1918, divulgada esta segunda-feira pelo blog Melgaço, entre o Minho e a Serra. Há precisamente 100 anos era travada a Batalha de La Lys, na região da Flandres francesa. É considerada o maior desastre militar português depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.

Em apenas quatro horas de batalha foram registadas centenas de mortos, milhares de desaparecidos e prisioneiros vítimas do ataque do império alemão. Os números ainda hoje variam de autor para autor mas ninguém tem dúvidas de que esta batalha foi um dos maiores desastres de toda a História Militar portuguesa. Terão caído sobre as posições portuguesas cerca de 1,4 milhões de granadas.

Entre os falecidos e desaparecidos contavam-se muitas dezenas de soldados naturais do Alto Minho. De acordo com aquele blog, chegou mesmo a existir a chamada Brigada do Minho, da qual faziam parte a maior parte dos soldados oriundos de Melgaço. Conta ainda este blog que esta brigada era conhecida pela sua bravura. “Os soldados da Brigada do Minho passaram a noite de 8 para 9 de Abril a arrumar armamento, munições e outros equipamentos e pertences. Iam ser rendidos por batalhões ingleses no dia 9 e hoje em dia acredita-se que os alemães sabiam disso. Sabiam também que a infantaria não estava preparada para aquela guerra e que tinham sido treinados à pressa numa falácia vendida pelo regime republicano que aplidaram de “Milagre de Tancos”. Os soldados de Melgaço e de outras regiões eram lavradores, pedreiros e de outros ofícios. Muitos deles nunca tinham saído da sua terra. A grande maioria nem sabia ler e escrever”.

Este domingo, em todo o Alto Minho, foram feitas várias homenagens aos soldados que tombaram nesta batalha. Coroas de flores foram depostas junto dos respetivos memoriais para que nunca se esqueça um dos dias mais negros da nossa História.

 

Em Ponte da Barca, foram muitos os que marcaram presença nas cerimónias dos 100 anos da batalha de La Lys [Fotografia: Emília Cerqueira / Fotografia superior: Direitos Reservados]

Em Valença, o artista José António Freitas concebeu uma maquete comemorativa do centenário desta batalha. Está patente no Núcleo Museológico da Cidade

 

 

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