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Autárquicas: Augusto imperial perante multidão a clamar por maioria absoluta

16 Julho, 2017 - 04:32

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Candidato socialista acolhido por moldura humana imensa. Não poupou críticas a «promessas patéticas» do PSD.

Foi um «rugido» ensurdecedor. Como leões que defendem território, uma multidão de militantes e simpatizantes socialistas acorreu em massa este sábado ao salão de festas de um restaurante, em Trute, para apoiar Augusto Domingues, candidato à Câmara Municipal de Monção nas próximas eleições autárquicas.
Trocavam-se sorrisos. Preparavam-se os telemóveis. Afinal de contas, todos sabiam que o Secretário-Geral do PS estava entre os convidados. As mesas foram sendo ocupadas. “Os candidatos independentes estão cá todos”, disseram-nos. Foi a primeira grande informação da noite. As duas estrelas ainda nem sequer tinham dado entrada e já Augusto Domingues jogava o primeiro «ás». Era de trunfo, certamente.
Finalmente o esperado anúncio pela voz do speaker. Triunfante, Augusto Domingues entrou lado a lado com António Costa. A multidão levantou-se. Aplausos… muitos aplausos. “Pê Esse… Pê Esse… Pê Esse…”, gritava o povo, de punho esquerdo erguido, de olhos pregados aos anfitriões da noite.

Miguel Alves: “Soubeste construir o futuro de Monção”

Após o jantar, o primeiro a usar da palavra foi o presidente da Federação Distrital do PS de Viana do Castelo. Miguel Alves mostrou-se desde logo surpreendido com a moldura humana que tinha pela frente. “Estamos aqui muitos! E muitos, naturalmente, ligados ao Partido Socialista. Mas também vejo aqui muitos que nem sempre foram do Partido Socialista, mas que hoje se juntaram neste restaurante para dizer que Augusto Domingues é um grande Presidente de Câmara e o futuro presidente da Câmara de Monção”. Ato contínuo, um estrondoso aplauso.
O pontapé de saída estava dado. A provocação à direita estava feita. Mas foi só o início e Miguel Alves não perdoou. “Deve-se ao Governo do PS aquilo que finalmente conseguimos fazer em Monção: pacificar o Agrupamento de Escolas e tratar do emparcelamento”, atirou. Mais um trovão de aplausos. Depois, de olhos nos olhos com Augusto Domingues, o presidente da Federação Distrital recordou a vitória de 2013. “Há quatro anos ganhaste por três votos. Durante estes anos não tiveste vida fácil! E é preciso reconhecer aqui o teu trabalho que porventura muitos não aguentariam. Com minoria na Câmara Municipal, com uma pressão tremenda por parte daqueles que se preocupam mais com os seus interesses do que com os interesses de Monção”, disparou o dirigente socialista. “Tu soubeste liderar esta terra num momento muito difícil! Soubeste construir o futuro de Monção ponto a ponto, diálogo a diálogo. Depois de termos ganho apenas por três votos, o povo fará justiça e dará uma grande vitória ao Partido Socialista nas próximas eleições”, concluiu Miguel Alves.

José Emílio Moreira: “Nós já acreditamos há muito tempo em Monção!”

Anunciado como cabeça de lista à Assembleia Municipal, José Emílio Moreira fez jus ao velho ditado «são muitos anos a virar frangos». O antigo presidente da Câmara começou desde logo com um esclarecimento, que soube a recado dado à direita. “Desde que se soube, mesmo sem ser oficialmente anunciado, que eu seria por vontade da Comissão Política o próximo candidato à presidência da Assembleia Municipal, foram muitos os que me pediram para deixar-me disto… que já estive em muitos sítios e que a idade já ia avançando”, contou. “Ao consultar o meu Cartão de Cidadão, verifico que de facto estou mais velho. Mas estar mais velho e ser velho são duas coisas absolutamente diferentes”, frisou José Emílio Moreira. A frase arrancou mais um explosivo aplauso do público onde se estampava um sorriso respeitador por um sempre acarinhado ex-autarca, que parece não suportar o prefixo do «ex».
Num discurso marcadamente cronológico, José Emílio Moreira também apontou baterias ao PSD. Mas àquela direita que mais o terá marcado nas lutas políticas. Recordou os tempos em que a Câmara de Monção foi gerida pelos sociais-democratas. “O que era este concelho há 20 anos nos vários domínios? Nas acessibilidades? No saneamento? No ensino? Na cultura?”. Ninguém da assistência respondeu, obviamente. Eram questões que ali não precisavam de resposta. “Estes quatro últimos anos continuaram o desenvolvimento e a dinâmica [do PS] para o concelho. Apesar das dificuldades, Augusto Domingues soube ser presidente. Soube ser um grande político. Soube conciliar as dificuldades”, elogiou José Emílio Moreira. “Soube gerir muito bem o que tinha. Soube distribuir pelos presidentes da Junta de Freguesia, pelas coletividades para que este concelho não parasse. E não parou!”.
Embalado no fogo cerrado, José Emílio Moreira apontou ao lema de campanha dos sociais-democratas [A Força do Acreditar]. “Nós já acreditamos há muito tempo em Monção!”, atirou o antigo presidente da Câmara. O público delirou. Longo aplauso para o candidato à presidência da Assembleia Municipal. “Vocês tem agora de ser uns autênticos apóstolos para levar esta mensagem de otimismo, de vitória! Sempre por Monção”, finalizou.

«Circulação de bola» antes do ataque

Foi a vez da estrela da noite. Augusto Domingues subiu ao palco. Visivelmente emocionado com a enorme onda de apoio, começou com voz embargada. Iniciou pelos habituais agradecimentos, sobretudo à equipa que o acompanhou. Passou ao discurso. Não atacou logo. Fez «circulação de bola» e lembrou o que foi feito. “Somos o 26º Município com melhor equilíbrio financeiro, isto somente com a nossa inteligência e com uma equipa fantástica que tenho e que lidera as finanças do meu município”, referiu. “Pagamos a bom prazo! O tempo dos credores à porta acabou!”. O candidato socialista deu seguidamente alguns exemplos de obras feitas, entre eles a rede viária, saneamentos, Centro Cultural do Vale do Mouro, relvado sintético dos Raianos, Bairro do Porcalho, Sede da Banda Musical de Monção, Torre de Lapela, Museu do Alvarinho, Avenida 12 de março, Praceta Fernando Pessoa, Cemitério Municipal “e um longo etecetera que não vos quero cansar. Mesmo com equilíbrio financeiro, fizemos obra!”.
Augusto Domingues lembrou depois a boa relação que sempre teve com as freguesias durante os últimos quatro anos. “Estabeleci convosco [para os presidentes de Junta] uma parceria fantástica! Permiti o vosso Orçamento Participativo. Fiz-vos uma transferência de capital onde vocês fizeram obra de monta”. Virou depois para a promoção do território que o Município realizou. “Fizemos de duas formas: criando locais visitáveis e com eventos vários… até que nos tornámos na terra da Coca, da Foda e do Alvarinho!”. Mais um longo aplauso para um candidato que enalteceu também a importância da relação transfronteiriça com Salvaterra de Miño. Sorriso estampado no rosto de Arturo Grandal, alcalde daquela localidade galega que marcou também presença neste jantar. Seguiu-se a inclusão social, onde Augusto Domingues louvou “o excelente trabalho das IPSSs que também temos ajudado. Somos das comunidades portuguesas que mais investe na transferência de capital para as associações”.
Inevitavelmente, Augusto Domingues deu relevância aos 5% da taxa de desemprego atualmente verificada em Monção. “Menos um por cento do que a Alemanha”, voltou a salientar. António Costa, sentado à mesa, sorria. “Somos um território barato. Temos o IMI no mínimo. Não temos derrama. Temos um gabinete do empreendedor. Temos dois pólos empresariais. O mais importante numa comunidade é o emprego”, considera o candidato socialista. “Para fruir do nosso Cine Teatro, da nossa Piscina Municipal e dos nossos museus, para ir ao restaurante, as pessoas têm de trabalhar. Cinco por cento é melhor do que muitos sítios, mas não estou satisfeito. Vou continuar a lutar para que um dia tenhamos uma taxa de desemprego residual. Isso é que tem de ser o desiderato de um Presidente de Câmara!”.

“Promessas patéticas” do PSD

Foi então que as garras do candidato pelo PS apareceram. Entrou no tema da Educação. “A normalidade voltou e isso deve-se a um grande Ministro que António Costa tem na sua equipa. Deve-se a Tiago Brandão Rodrigues!”. Novo aplauso. Longo para o Ministro de Paredes de Coura.
Implacável, Augusto Domingues avançou contra o PSD e não esquece o episódio ocorrido na Feira Semanal de Monção durante a campanha para as eleições legislativas de 2015. “Houve promessas patéticas no passado, durante um período eleitoral, com um manifesto escrito que dizia que o problema estava resolvido. Houve uma Assembleia Municipal histórica onde todos viram o que era uma posição política firme, que foi a nossa, e uma posição de um grupo político que andava ali de um lado para o outro. Sem rumo”.
Sem esquecer o ensino profissional, Augusto Domingues louvou ainda o trabalho feito pela EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior) com “um ensino profissional de excelência”. Foi a deixa para um grande sonho do candidato: a Casa da Juventude.
De olhos no público, o candidato do PS mostrou-se confiante. “Juntos com certeza vamos ganhar. Vamos continuar a empurrar este concelho. Esta foi a primeira injeção de força! Vai seguir-se outra a 1 de setembro na Praça Deu-la-Deu”, adiantou. “Convosco e com todos os que não puderam estar aqui hoje vamos dizer a todos que vamos ganhar novamente Monção!”, concluiu Augusto Domingues. Seguiu-se novo aplauso, em pé, num ambiente totalmente apoteótico.

António Costa: “Augusto Domingues vai ser reeleito por três mil votos”

A plateia estava ao rubro. Mas ainda faltava António Costa. Vinha em traje mais informal. O «fato» de Primeiro-Ministro tinha ficado em Lisboa. Falava ali como Secretário-Geral do PS e isso permitiu-lhe dar a estocada final num PSD totalmente chumbado pelo socialismo monçanense. “Desta vez, Augusto Domingues não vai ser reeleito presidente da Câmara por três votos mas por três mil votos”, vaticinou Costa que terminou a dar especial ênfase ao papel de um presidente de Câmara.
Em 2013, para a Câmara Municipal de Monção, o PS obteve 37,96% dos votos. O PSD ficou logo atrás com 37,92%. As próximas eleições autárquicas realizam-se no dia 1 de outubro.

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