Aristides Martins é o candidato pelo PSD à presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira nas eleições autárquicas do próximo dia 12 de outubro.
Em entrevista à Rádio Vale do Minho, o candidato lamenta um concelho a sofrer pela “estagnação” em que se encontra e compromete-se a “iniciar um novo ciclo virtuoso”.
Rádio Vale do Minho (RVM) – Qual ou quais as razões que o levam a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal?
Aristides Martins (AM) – As razões que motivam a nossa candidatura podem resumir-se no imperativo de servir Cerveira e os cerveirenses, afirmando um projeto ambicioso de desenvolvimento sustentado nas várias áreas — habitação, saúde, acessibilidades, lazer e cultura — que, infelizmente, têm sido adiadas e mesmo abandonadas.
Vamos iniciar um novo ciclo virtuoso em Vila Nova de Cerveira, trazendo mais investimento e, com isso, gerando mais e melhores condições de vida, de prosperidade e de bem-estar.
RVM – Que balanço faz do anterior mandato?
AM – O mandato anterior pode resumir-se numa palavra: estagnação. O executivo em funções centrou a sua ação apenas na promoção da diversão, espetáculos, festas e romarias.
Nesse sentido, concluiu o, por eles denominado, “Palco das Artes”, tendo investido cerca de 4.000.000,00 € nessa obra.
O executivo em funções gasta anualmente cerca de 1.000.000,00 € em espetáculos, festas e romarias. Tudo o resto passou para segundo plano, foi adiado e esquecido.
Nada foi feito na habitação a custos acessíveis, nem uma pedra foi lançada — aliás, em coerência com a visão, várias vezes afirmada pelo Presidente da Câmara em funções, de que não queria este tipo de projetos em Vila Nova de Cerveira.
Pois bem, esta visão conduziu o Município à situação trágica em que hoje se encontra: uma completa falta de oferta de habitação a custos acessíveis para os jovens que pretendem fixar-se em Cerveira e não encontram soluções.
As acessibilidades no concelho estão degradadas e não respondem às necessidades das pessoas em cada uma das freguesias onde habitam.
A falta de transporte é outra realidade que afeta gravemente as necessidades diárias da população.
RVM – Que medidas propõe ao nível da habitação?
AM – Assim que tomarmos posse, vamos iniciar um projeto de construção de habitação a custos acessíveis em várias freguesias de Vila Nova de Cerveira, correspondente a pelo menos 100 habitações.
Vamos estudar a possibilidade de recuperar o projeto que estava pronto para arrancar em 2021 na freguesia de Campos e que, com o executivo em funções, foi abandonado.
Com esta medida, dentro de pouco tempo, poderemos inverter a situação de escassez e oferecer aos jovens uma solução de habitação pública, permitindo-lhes fixar-se nas suas freguesias em Vila Nova de Cerveira.
Vamos aproveitar todas as soluções em articulação com a CIM e com o Governo de Portugal, que já apresentou publicamente as linhas gerais de investimento em habitação a custos acessíveis.
Fazer, fazer, fazer, sem demora, para recuperar de um atraso insuportável.
RVM – Que propostas tem para o comércio tradicional?
AM – O comércio tradicional é também uma área prioritária, que precisa de uma estratégia de envolvência com todos os empresários e comerciantes.
Uma das medidas será o lançamento de um programa de revitalização do comércio no centro histórico, atraindo novas atividades que possam instalar-se nas diversas artérias da vila.
Essencial será envolver todos os comerciantes, dialogar com eles e compreender as suas perspetivas e projetos, para que, em conjunto, possamos alinhar uma estratégia comum de desenvolvimento sustentado.
É igualmente prioritário revitalizar o espaço da feira semanal, atualmente degradado, bem como requalificar a Praça dos Lavradores, cuja cobertura foi removida e, desde então, não teve qualquer solução.
Importa ainda revitalizar o Mercado Municipal, dotando-o de novos espaços e valências.
RVM – Que projetos tem para a indústria?
AM – Os polos industriais instalados constituem o pulmão económico de Vila Nova de Cerveira, criando milhares de postos de trabalho e contribuindo decisivamente para a geração de riqueza.
Deve, no entanto, assinalar-se que são os empresários que investem, arriscam o seu capital, produzem, vendem e exportam, pelo que é fundamental que estejam envolvidos numa estratégia comum de desenvolvimento sustentado.
Desde logo, o Município é um parceiro essencial nessa estratégia. Contudo, pouco ou nada tem sido feito; nem sequer se concretizou o mais básico, que é a requalificação dos espaços públicos das zonas industriais, através da melhoria dos acessos, da rede viária e dos espaços de apoio existentes.
Recentemente foi inaugurada a área industrial de Sapardos, que, no entanto, carece de um acesso dedicado à via principal, eventualmente à A3, sendo necessário estudar, do ponto de vista técnico, a melhor solução.
Vamos pôr em prática o plano de requalificação das áreas industriais, atualmente esquecido, e acelerar a implementação de soluções de energia renovável, dedicadas ao fornecimento de eletricidade a estas áreas.
RVM – Que ideias tem para a saúde?
AM – Somos parceiros no programa de saúde de proximidade, envolvendo a ULSAM, as extensões de saúde já existentes, bem como as IPSS e o setor social.
Queremos que a resposta em saúde seja assegurada numa lógica de levar os cuidados de saúde às pessoas, independentemente do local da sua residência, esteja este mais próximo ou mais afastado das unidades locais de saúde.
RVM – Que propostas tem para a cultura e desporto?
AM – Na área da cultura, queremos continuar a apostar fortemente na Bienal Internacional de Arte de Cerveira, um evento que já se afirma como um dos principais polos culturais a nível nacional e internacional.
Paralelamente, pretendemos dinamizar iniciativas locais, promovendo exposições, oficinas, espetáculos e atividades que integrem toda a comunidade e cheguem a todas as freguesias.
Estas iniciativas terão como foco a valorização do património, das tradições e da identidade local, incentivando a participação ativa dos cidadãos em eventos culturais diversificados e inovadores.
A descentralização cultural será um eixo central da nossa ação, garantindo um calendário inclusivo e pensado para todos os públicos. Neste sentido, também pretendemos associar a cultura ao desporto e ao turismo sustentável, através da dinamização de trilhos pedestres e percursos em bicicleta, que permitam não só usufruir da natureza, mas
também criar experiências culturais ligadas ao território e à sua história.
No que concerne ao desporto, o nosso compromisso é com um plano estratégico abrangente e ambicioso, que inclui a modernização das infraestruturas e a criação de espaços ao ar livre seguros e acessíveis para a prática desportiva.
Queremos fomentar programas que estimulem a participação em diversas faixas etárias, incluindo desporto em família e atividades intergeracionais, promovendo ainda a colaboração estreita com clubes, escolas e associações locais.
A inovação também terá papel-chave, com iniciativas como o Cartão Municipal do Desporto para facilitar o acesso e a gestão dos apoios, além do reconhecimento e formação contínua dos profissionais do setor.
RVM – Que propostas tem para a educação?
AM – Queremos uma educação de qualidade que prepare os jovens de Vila Nova de Cerveira para os desafios do futuro.
Para isso, consideramos essencial a integração urgente do Plano Municipal para a Integração (PMI), que visa promover a inclusão plena de todas as crianças e jovens no sistema educativo, garantindo igualdade de oportunidades e apoio específico onde for necessário.
Propomos também a criação do Conselho Municipal da Juventude, uma estrutura que aproxima os jovens das decisões locais, dando-lhes voz ativa e protagonismo nas políticas do concelho.
Acreditamos que o ensino artístico e profissional deve ser devidamente valorizados e articulados com as escolas do concelho, de forma a ampliar a oferta educativa em todas as áreas e níveis, garantindo respostas adequadas às necessidades dos jovens e às exigências do mercado de trabalho.
Reconhecemos ainda o papel fundamental das associações, grupos de jovens e coletividades que desenvolvem um
trabalho conjunto em prol de Vila Nova de Cerveira.
Queremos reforçar o apoio a essas entidades, promovendo a colaboração e a criação de projetos que potenciem o desenvolvimento social, cultural e educativo da comunidade jovem.
RVM – Qual o melhor destino para o Castelo de Cerveira?
AM – O Castelo de Vila Nova de Cerveira está, há 7 anos, enredado em equívocos que em nada têm contribuído para que possa responder aos anseios dos cerveirenses.
O Castelo é Monumento Nacional e, no seu interior, alberga uma área edificada onde, durante cerca de 30 anos, esteve instalada a Pousada D. Dinis. Este espaço edificado pertence ao Estado Português que, no âmbito do programa Revive, lançou um concurso internacional para o entregar em concessão a privados, com o objetivo de ser reabilitado e aí passar a funcionar um hotel.
O concessionário, a quem tal infraestrutura foi entregue, requereu o licenciamento da obra de reabilitação. O Município licenciou a obra, contudo, a mesma tem encontrado resistência no seu início.
Pois bem, para nós, o essencial é que o Castelo seja requalificado e devolvido à fruição dos cerveirenses e de todos quantos lá se deslocam.
O que não se pode, como pretende o atual executivo, é acenar com promessas e propostas cuja exequibilidade é inexistente, pois estamos a falar de um património do Estado Português, concessionado a uma entidade privada, à qual foi atribuída pelo Município licença para requalificar toda a área edificada.
Também nos parece que o Município, como pessoa de bem que é, deve honrar os compromissos assumidos, pois, se a obra está licenciada, então que se cumpram os termos dessa licença e, de uma vez por todas, se inicie e se conclua sem mais delongas.
O Castelo tem todas as condições para voltar a ser, a nível turístico, uma âncora para o desenvolvimento de Vila Nova de Cerveira, em articulação com o comércio, a restauração e a cultura, tudo numa só dinâmica.
RVM – Que mensagem deixa ao eleitorado?
AM – Queremos ouvir as pessoas, envolver as associações, dar voz às freguesias. Queremos uma Cerveira onde os jovens vejam futuro, onde os mais velhos se sintam respeitados, onde a economia local tenha apoio real e onde a cultura, a educação e o ambiente sejam prioridades.
É imperativo devolver Cerveira e as suas instituições a todos os Cerveirenses a quem servem, abrir as portas e construir pontes de diálogo com todos.
Queremos construir um concelho onde todos contam, onde ninguém fica para trás. Estou certo e seguro que faremos mais e melhor pelo nosso concelho.
É tempo de dizer que Cerveira tem Futuro e que eu e todos vós somos esse futuro, compromisso seguro de progresso e prosperidade.
Cerveirenses, apoiar com o vosso voto esta equipa e este programa não serão defraudados nas suas expectativas, pois, conhecem o nosso percurso, sabem que somos honestos e de confiança e que por isso podem contar comigo, podem contar connosco, nós contamos com todos vós.
[N.R – A Rádio Vale do Minho enviou, via email, 10 questões a todos os candidatos à presidência da Câmara Municipal deste concelho nas eleições autárquicas do próximo dia 12 de outubro. São publicadas as respostas daqueles que aceitaram o nosso repto]
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