A Comissão Política Concelhia do PS Valença lamentou esta sexta-feira a confirmação de que a freguesia de Cerdal tenha de ir novamente a eleições para a Assembleia de Freguesia.
Em nota enviada à Rádio Vale do Minho, os socialistas começam por recordar que, no passado dia 12 de outubro, “o PS venceu as eleições, elegeu o Presidente de Junta, Hugo Silva, e obteve a maior representação na Assembleia de Freguesia, embora sem maioria absoluta.
“Perante este cenário, tornou-se indispensável iniciar um processo de diálogo que permitisse assegurar o normal funcionamento da Junta e a instalação plena dos órgãos autárquicos”, prosseguem.
Ora, sublinha aquela estrutura que, “desde o primeiro momento, o PS e, em particular, o Presidente de Junta eleito, Hugo Silva, agiram com total sentido de responsabilidade institucional, abertura ao diálogo e compromisso com a freguesia. A prioridade foi sempre encontrar uma solução estável, transparente e democrática que garantisse o funcionamento regular da Junta e respeitasse integralmente a vontade expressa pelos fregueses”.
O entendimento entre as forças políticas nunca aconteceu e o PS culpa agora os dois partidos da oposição.
“Infelizmente, e apesar de todos os esforços desenvolvidos, PSD e Chega formaram, desde antes mesmo das eleições, uma coligação negativa que teve como único propósito bloquear a instalação dos órgãos e criar um impasse político artificial. Esta atuação não serviu a freguesia, nem teve em conta o interesse dos cerdalenses. Serviu apenas os interesses político-partidários de duas forças que foram amplamente derrotadas nas urnas e que identificaram, na ausência de maioria do PS, uma oportunidade para assegurar a sua própria sobrevivência política no concelho”, considera o partido.
O PS de Valença vai mais longe e recorda “as diligências promovidas” pelo partido, logo após as eleições, no sentido de garantir a estabilidade.
“Logo a 14 de outubro, após as eleições, o PS iniciou os primeiros contactos com o PSD, a segunda força mais votada, apresentando uma proposta equilibrada e aberta para a composição dos órgãos; Seguiram-se várias reuniões e tentativas de contacto com ambas forças – PSD e Chega -, sempre com total disponibilidade por parte do PS para construir soluções estáveis e representativas; Foram apresentadas diversas propostas de composição dos órgãos, contemplando a possibilidade de inclusão de eleitos do PSD ou do Chega no Executivo da Junta Freguesia ou na Mesa da Assembleia de Freguesia, sem sucesso; Apesar disso, após várias ausências de resposta e mudanças de posição, foram apresentadas, pela Oposição, contrapropostas absolutamente inviáveis, não correspondentes com os resultados eleitorais, tais como uma proposta de composição tripartida do Executivo da Junta e de liderança da Mesa da Assembleia de Freguesia pelo partido menos votado, o Chega”, lê-se.
“Ainda assim, em resposta, o PS apresentou uma outra proposta que considerava a inclusão de 1 elemento do PSD no Executivo da Junta e elementos do Chega como secretários da Mesa da Assembleia de Freguesia, respeitando assim a representatividade dos resultados obtidos nas eleições de 12 de outubro”, prossegue.
“Já na véspera da última Assembleia de Freguesia, realizada a 19 novembro, tornou-se evidente que PSD e Chega pretendiam impor uma solução previamente combinada entre ambos, contrária às propostas discutidas e incompatível com a vontade expressa pelos fregueses no ato eleitoral”, deduzem os socialistas.
Para o partido, “esta sucessão de comportamentos inviabilizou qualquer acordo sério e responsável”.
“O PS manteve sempre uma postura de abertura, diálogo e transparência. O Presidente da Junta eleito, Hugo Silva, conduziu o processo com serenidade, sentido democrático e foco exclusivo no bem comum. Todas as propostas apresentadas pelo PS tinham como único objetivo garantir estabilidade à freguesia, assegurar o normal funcionamento dos órgãos e respeitar a confiança que os fregueses depositaram nas urnas”, realça a concelhia.
“A atitude do PSD e do Chega, orientada pela lógica da obstrução e pela vontade de instrumentalizar o impasse, retirou qualquer viabilidade a uma solução negociada. Face ao bloqueio instalado e à inexistência de mecanismos legais que permitam ultrapassar este tipo de impasse, o PS e o Presidente de Junta eleito consideram que a única solução democrática, transparente e justa é devolver a palavra aos fregueses através da convocação de eleições intercalares”.
“Com esta decisão, o PS reafirma a sua responsabilidade perante a freguesia e a confiança plena de que os cerdalenses saberão apreciar, nas urnas, quem, em todo este processo, atuou de boa-fé, com transparência e com sentido de interesse público e quem não o fez. O PS e o Presidente de Junta eleito, Hugo Silva, permanecem totalmente disponíveis para continuar a trabalhar com todos, em diálogo, com respeito e com espírito construtivo”, conclui.
Recorde-se que, após as eleições autárquicas do passado dia 12 de outubro, o PS venceu nesta freguesia com 47,97% dos votos. Elegeu quatro elementos.
O PSD obteve 29,42% dos votos e elegeu três. O Chega alcançou 19,51% e elegeu dois.
A data do próximo sufrágio para esta Assembleia de Freguesia ainda não é conhecida.
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[crédito fotografia: Google Maps]
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