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Opinião: O sentido da Ressurreição

11 Abril, 2020 - 07:30

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PUB O sentido da Ressurreição Artigo de Cláudia Pires de Lima, Psicóloga Clínica e Terapeuta Familiar Presidente de Junta da União de Freguesias de Paredes de Coura e Resende   […]

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O sentido da Ressurreição

Artigo de Cláudia Pires de Lima, Psicóloga Clínica e Terapeuta Familiar
Presidente de Junta da União de Freguesias de Paredes de Coura e Resende

 

Vivemos uma época de esperança. Esperamos que tudo fique bem, pois dos quatro cantos do mundo redondo ouvem-se vozes em uníssono sussurrando “Vai Tudo Ficar Bem!”.

Dia 2 de março chegou ao nosso país a realidade. Foi a data na qual tivemos a confirmação de que também nós teríamos de passar pelo desafio que fustigara a Asia e estava a chegar à grande maioria dos países da Europa. A realidade da qual estávamos a tentar escapar mas que, no íntimo e em silêncio, sentíamos a certeza de que nos iria assaltar.

Dia 17 de Março confirmou-se a letalidade da realidade que nos assolara. A primeira vítima mortal. Com ela, veio o medo. Com ela, a nossa perceção do risco foi atualizada. O medo é uma emoção que ativa mecanismos de defesa. Permite-nos, perante o risco que percecionamos, adaptar o nosso comportamento para evitarmos consequências nefastas. O medo, enquanto comportamento protetor mas acima de tudo comportamento adaptativo, garante que minimizamos o risco, que tomamos conta de nós e dos outros.

Ter medo (adaptativo), é normal. Ter medo (adaptativo), é positivo. Não poderemos dizer o mesmo do medo que nos bloqueia, que nos impede de reagir, ou que nos faz ser impulsivos e arriscar. A nossa perceção do risco foi alterada!

Foi aí que nos mostramos como unidade. Eis que surge mais um momento na história em que tudo foi pedido aos portugueses (e não imposto), e o povo acedeu na sua esmagadora maioria. Pediram proteção, e o povo protegeu-se. Pediram compreensão, e o povo compreendeu. Pediram confiança, e o povo confiou. Pediram até sacrifício, e o povo acedeu.

Pediram solidariedade, e o povo excedeu-se! Um excesso que nos alimenta, um excesso que nos faz sentir orgulho, um excesso que motiva os da linha da frente, um excesso que manifesta respeito. A solidariedade que nos faz sentir portugueses, que nos caracteriza.

Na nossa realidade a solidariedade é transversal. O espectro que inicia no Governo e termina no vizinho. Um Governo que, sem alarmismo mas em estado de alerta, mostrou firmeza nas decisões, ponderação, transparência e empenho; um Governo que nos fez admirar a velocidade de processamento e de concretização de inúmeras medidas para minimizar, com  antecedência máxima, o impacto da atual realidade; um Governo que abrangeu a preocupação com a saúde, com a economia, com as famílias, com o aumento da hostilidade e da violência.

Seguem-se as autarquias, desde os municípios às juntas de freguesia, que localmente tiveram de olhar para a realidade noutra escala, garantindo desde o funcionamento dos serviços básicos às necessidades e carências particulares dos seus habitantes. As empresas e os trabalhadores, aos quais foram pedidos sacrifícios, pois nesta realidade não se encontram culpados e todos padecem das consequências; aos quais foi pedido que se reinventassem e adaptassem, sempre que possível, à atual realidade. Os vizinhos, familiares próximos e amigos a quem foi pedido que se cuidassem entre si; a solidariedade máxima de pensar na primeira pessoa do singular (Eu), para evitar um mal maior na primeira pessoa do plural (Nós).

A gratidão será eterna. Àqueles que estão na linha da frente a salvar vidas, àqueles cuja linha é a de não sair de casa e cumprem, e aos que estão a tornar possível que a estrutura nacional se coordene e mantenha a funcionar. Todos nós somos parte da solução.

Nesta época Pascal, a Ressurreição empodera-nos pelo seu significado: levantar, erguer. Os meus votos são que nos apoiemos, que possamos colaborar para uma eficaz e rápida normalidade se instaurar, que sejamos solidários, cumpridores e que confiemos que em breve nos iremos reerguer, levantar e seguir em frente.

Uma Santa Páscoa, para o ano voltaremos à tradição!

 

[Fotografia: Cláudia Pires de Lima / DR]

 

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