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Monção

Monção: Solução para o Minho Park? Investidor garante que só fala com Barbosa e Albuquerque

19 Março, 2022 - 19:13

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Mello Campello surpreendido com notícia lançada por jornal local.

Chama-se António de Mello Campello. É administrador da empresa BlueCrow e é esta empresa, com sede em Lisboa, que está interessada em comprar o Minho Park.

 

Num email enviado ao presidente da Câmara de Monção, António Barbosa, o investidor mostra-se surpreendido com uma notícia publicada na edição em papel do jornal A Terra Minhota do passado dia 15 de Março, onde Filipe Quintas, vereador pelo PS na Câmara de Monção, anuncia que o “Minho Park já tem solução”.

 

Avançou aquele jornal que “Filipe Quintas reuniu com o futuro dono do Minho Park onde podemos firmar um compromisso de colaboração no desenvolvimento deste importante projeto empresarial”. A ilustrar a notícia, uma foto onde se vê o vereador a cumprimentar uma pessoa nunca identificada em toda a peça.

 

 

 

Fotografia publicada pelo jornal A Terra Minhota, sobre a passagem de Filipe Quintas pela Blue Crow
[Fonte: FB PS Monção]

 

 

 

Em reunião do Executivo Municipal realizada esta sexta-feira na Junta de Freguesia de Troviscoso, e perante um auditório de quase uma centena de pessoas, o presidente da Câmara leu o email recebido de António de Mello Campello.

 

O investidor começa desde logo por identificar a pessoa em questão na fotografia.

 

“Na página 2 da publicação acima indicada [jornal A Terra Minhota], vem uma notícia da aquisição do imóvel conhecido como Minho Park acompanhada por uma imagem de um funcionário [Duarte Calheiros e Menezes] da minha empresa, responsável pela sociedade que irá adquirir o dito imóvel. Esta notícia foi dada, de forma bastante inesperada e sem contexto, sendo que o Senhor Vereador Filipe Quintas, solicitou esta reunião, insistentemente, no dia 8 de março, tendo sido recebido no âmbito das boas relações que gostaríamos de manter com o Município de Monção”, esclarece António de Mello Campello no email lido pelo presidente da Câmara.

 

 

O que aconteceu em Lisboa?

Segundo Mello Campello, não existiu qualquer “compromisso”. Existiu – leu António Barbosa – uma reunião onde “foi confirmado o nosso interesse em adquirir o já referido imóvel, e que nos encontramos em diligências com os administradores de insolvência, com vista ao agendamento do CPCV [Contrato Promessa Compra e Venda] e posterior escritura”.

 

 

Só Barbosa e Albuquerque

No mesmo email, leu ainda o presidente da Câmara, o investidor deixa ainda claro que “para além dos vários contactos que mantive com o Senhor Presidente, desde o início deste processo, que agradeço uma vez mais, e da troca de emails entre o seu gabinete e o administrador de insolvência [Nuno Albuquerque], não tivemos mais qualquer contacto com entidades públicas do Município de Monção, para este projeto, em clara contradição do que vem exposto no artigo que nos foi enviado”.

 

Mello Campello sublinha ainda que “desde o nosso primeiro contacto, no início de outubro, mantemos o foco de investir no Município de Monção, preferindo manter o low profile que nos carateriza”.

 

“Para além deste investimento, que esperamos conseguir concluir, apesar desta inesperada, descontextualizada e intempestiva publicidade, que não procuramos ou de algum modo incentivamos, temos já executado um investimento numa sociedade sedeada no Município de Monção, ligada ao setor de tecnologia de ponta”, refere o rosto da Blue Crow.

 

O investidor assegura também que “estamos ainda a analisar outras oportunidades, que acreditamos serão relevantes para os nossos investidores, mas também para o Município de Monção”.

 

 

Barbosa: “Atitude com único propósito de retirar dividendos políticos”

Após a leitura do email de Mello Campello, o presidente da Câmara não teve dúvidas.

 

“Os vereadores do PS, com esta atitude e com o único propósito de retirar dividendos políticos duma situação para a qual nada contribuíram, poderiam ter posto em causa a resolução de um dos problemas mais graves do concelho dos últimos anos”, disparou Barbosa.

 

De olhar virado à esquerda, o presidente da Câmara ainda disse mais. “Para vocês, ao contrário do que apregoam, não está Monção acima de tudo mas sim os vossos objetivos pessoais. Que já se percebeu, aliás todos percebemos, são contrários aos interesses de Monção”.

 

 

Quintas: Duarte Calheiros e Menezes “não é um funcionário”

Na resposta, Filipe Quintas foi pragmático e manteve o que vinha dizendo antes e durante a reunião.

 

“Nós estivemos lá. Estive a cumprimentar o Sr. António Campello. São quatro administradores!”, apontou o vereador socialista.

 

“Estive com o Dr. Duarte Calheiros e Menezes e não é um funcionário. Ele é administrador da empresa… são quatro”.

 

 

Sobre o Minho Park

O Minho Park foi criado em 2008 entre a AIMinho e a Câmara de Monção,  para a construção de um parque empresarial com 90 hectares e 80 lotes,  destinado a captar empresas industriais, quer de Portugal quer da Galiza, Espanha. 

 

Participado pela Associação Industrial do Minho (95%) e pela Câmara Municipal de Monção (5%), o Minho Park Monção, o maior investimento de sempre na região do Vale do Minho, abrange parte das freguesias de Pinheiros, Lara, Mazedo e Troporiz.

 

Por questões de ordem judicial, relacionadas com a atividade da Associação Industrial do Minho, o empreendimento encontra-se parado e em processo de insolvência.

 

 

 

[Fotografias: Rádio Vale do Minho/Município Monção]

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