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Melgaço

Melgaço: Há séculos que nesta freguesia acendem palha à noite (sempre no dia 20 de dezembro)

20 Dezembro, 2023 - 01:40

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Alumiada a S. Tomé.

Ninguém sabe como começou. Ou quando começou.

 

As origens da Alumiada a S. Tomé na freguesia de Penso, em Melgaço, serão tão remotas que tudo aponta para uma tradição de vários séculos de existência. O ritual atravessou gerações.

 

Em pleno século 18, escreveu o Padre Carvalho da Costa quelá no alto da serra desponta a capelinha de S. Tomé. (…) Nesse dia, pobres e ricos, mal a noite cai, iluminam, com feixes de palha [centeia] a arder [as fantocheiras] a visita que este santo faz ao seu visinho S. Fins, na serra da Galiza, na outra margem. Apagado o lume, em grande algazarra, come-se a ceia que é, por assim dizer, uma antecipação à consoada. Há todas [rabanadas], arroz-doce e vinho quente açucarado”.

 

É único e ali se repete todos os anos, na noite de 20 de dezembro.

 

Tudo começa ao cair da noite. O povo sai à rua e junta-se por lugares.

 

São acendidas as fachuqueiras (palha centeia). Num ápice, fogueiras iluminam a noite e o povo dá vivas a S. Tomé.

 

 

 

[Fotografia: Arquivo/Município Melgaço]

 

 

 

[Fotografia: Arquivo/Município Melgaço]

 

 

 

[Fotografia: Arquivo/Município Melgaço]

 

 

 

Cumprida a tradição, segue-se a tradicional ceia. Este ano com petingas fritas, pataniscas, sardinhas assadas, barriga de porco e bifanas, caldo à moda antiga, rabanadas e bolo rei. Vai ter lugar na Associação de S. Tiago de Penso.

 

As inscrições já se encontram encerradas. A noite será abrilhantada pelo artista Rui Afonso.

 

 

 

[Fonte: Associação S. Tiago de Penso]

 

 

 

S. Tomé também celebrado noutros locais

Conforme referido, não é conhecida tradição semelhante à de Penso. No entanto, S. Tomé é bastante celebrado e festejado em cidades espanholas, também a 21 de dezembro. Nomedamente em São Sebastião, Bilbau, Mondragón e Azpetizia, todas no País Basco.

 

S. Tomé, reconhecido pela Igreja Católica, é popularmente conhecido com o santo que precisou de ver para crer.

 

Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos, estende a tua mão e mete-a no meu peito. Não sejas descrente! Acredita!”, lê-se na Bília [Jo 20,27]

 

Diz-se que deste instante, São Tomé passou a crer, e não duvidou mais.

 

 

[Fotografia capa: Arquivo/JF Penso]

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