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Melgaço

Melgaço: Fez um dinossauro e um canhão no jardim (e agora um homem a ver Espanha… por um ‘canudo’) [FOTOS]

2 Fevereiro, 2024 - 09:48

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Juvenal Esteves tem somado admiradores e fama com esculturas que faz.

Na freguesia fronteiriça de Paços, em Melgaço, não há quem não conheça Juvenal Esteves.

 

Com 71 anos de idade, é o autor de uma escultura colocada à margem da Estrada Municipal que atravessa aquela freguesia.

 

Trata-se de um homem em madeira, sentado numa cadeira à mesa. Ambas em pedra.

 

Nas mãos segura um monóculo, apontado ao país vizinho.

 

 

 

[Fotografia: Bruno Ribeiro]

 

 

 

[Fotografia: Bruno Ribeiro]

 

 

 

“Primeiro fiz a cadeira e a mesa. Mas depois pensei: «Vou pôr uma pessoa aqui a olhar para os espanhóis»”, contou o autor à Rádio Vale do Minho com uma gargalhada.

 

Assim fez. Em dois meses concluiu a obra que, com um metro e meio de altura, está a merecer rasgados elogios. Não só de quem passa, mas quem vê fotos na internet.

 

 

 

[Fotografia: Bruno Ribeiro]

 

 

 

[Fotografia: Bruno Ribeiro]

 

Gosto pelos trabalhos manuais

A paixão de Juvenal pela escultura despertou cedo. Durante a juventude, contou, tinha habilidade para construir as mais diversas figuras em vários materiais. Sobretudo madeira.

 

O tempo passou. Cresceu. Emigrou e foi para França onde trabalhou na construção civil durante duas décadas. Regressou e alcançou a reforma.

 

Em 2010 decide alimentar aquela atração que sempre teve. Começou por fazer um leão, em pedra.

 

Decidiu ir mais longe. Esculpiu a estátua de Luís Figo.

 

“Chegou a estar exposta no centro da vila, junto à estátua de Inês Negra. Infelizmente foi vandalizada”, lamentou.

 

 

 

[Fotografia: cedida à Rádio Vale do Minho]

 

 

Para além deste azar, um outro obstáculo atravessou-se no caminho de Juvenal.

 

“Eu gostava de trabalhar a pedra, mas tive um problema de falta de oxigénio. E esses trabalhos faziam muito pó”, explicou.

 

Tinha de mudar imediatamente de direção. E mudou.

 

 

 

Adeus pedra… olá cimento

Impedido de trabalhar a pedra, Juvenal não desistiu. Mudou de material e passou para o cimento.

 

“Há uns cinco anos falou-se muito de dinossauros e de pegadas que encontravam por aí”, lembrou o escultor. Foi o ponto de partida para aquela que é a maior obra de todas: um dinossauro, em cimento, com cerca de três metros de altura.

 

Está no jardim lá de casa. Todos adoram a obra, “mas a maior fã é uma das minhas netas, que tem sete anos”, contou com ar orgulhoso.

 

 

 

[Fotografia: cedida à Rádio Vale do Minho]

 

 

[Fotografia: cedida à Rádio Vale do Minho]

 

 

 

Um canhão “apontado para a Rússia”

Depois do dinossauro, Juvenal continuou a fazer mais esculturas. Desta vez de menor dimensão.

 

Chega então o mês de fevereiro de 2022. A Rússia invade a Ucrânia e o escultor ganha inspiração para algo maior. Desta vez em madeira: um canhão.

 

Duas rodas de um carro de bois e um tronco de árvore bastaram para Juvenal soltar uma vez mais todo o talento.

 

“Ficou apontado para a Rússia”, disse com nova gargalhada.

 

 

 

[Fotografia: cedida à Rádio Vale do Minho]

 

 

Esta escultura está também no jardim da casa deste artista.

 

 

 

E a próxima escultura é…

Juvenal não faz intenções de parar tão cedo. Imaginação não falta.

 

Questionado sobre qual será a próxima escultura, teve resposta pronta para a Rádio Vale do Minho. “Vai ser uma cria para o dinossauro. Também em cimento”, revelou com um sorriso.

 

“Isto não se aprende na construção. São ideias que surgem. Não é para passar o tempo, é algo que se faz com gosto”, sublinhou Juvenal.

 

“Para passar o tempo ia à pesca ou sentava-me no sofá”, concluiu.

 

 

 

 

[Fotografias capa: Bruno Ribeiro | Cedidas à Rádio Vale do Minho]

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