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Valença

Carpinteira confiante que a “mãe de todas as feiras” vai dar passo histórico

3 Novembro, 2022 - 19:29

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Feira dos Santos.

O Presidente da Câmara de Valença reiterou esta quinta-feira a sua convicção de que a Feira dos Santos de Cerdal, cuja edição deste ano se realizou na terça e quarta-feira, vai a breve trecho ser elevada a Património Cultural Imaterial.

 

Durante os dois dias, este certame recebeu “uma multidão de dezenas de milhares de visitantes vindos de vários pontos do país e da Galiza e cerca de 400 feirantes”, descreveu José Manuel Carpinteira.

 

“Aquela que é considerada a mãe de todas as feiras tem uma marca secular de tradições populares”, lembra.

 

Conforme avançou a Rádio Vale do Minho, a edição deste ano ficou marcada pela visita de técnicos da Direção Geral do Património Cultural, na sequência da candidatura da Feira dos Santos de Cerdal a Património Cultural Imaterial.

 

Carpinteira voltou a referir que esta avaliação foi “positiva e esperançadora para a futura classificação”.

 

“Pelo seu legado histórico e pelo valor social, cultural e económico para Valença e para toda a região transfronteiriça, esta feira merece ser valorizada e reconhecida, sendo por isso um objetivo importante a classificação como Património Cultural Imaterial”, defende o autarca lembrando que a edição deste ano contou ainda com a apresentação da segunda edição do livro Feira dos Santos de Cerdal, do autor valenciano Narciso Serra.

 

“Um profundo estudioso deste evento e cuja obra serviu de ponto de partida para a candidatura a Património Cultural Imaterial”, sublinha.

 

 

O que é preciso para a classificação de Património Imaterial Cultural?

Segundo a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, este inclui as tradições ou expressões vivas herdadas dos nossos antepassados e transmitidas aos nossos descendentes, tais como:

 

a) Tradições e expressões orais, incluindo a língua como vetor do património cultural imaterial;

b) Artes do espetáculo;

c) Práticas sociais, rituais e eventos festivos;

d) Conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo;

e) Aptidões ligadas ao artesanato tradicional.

 

Esclarece aquela Convenção que “Salvaguardar refere-se à adoção de medidas destinadas a assegurar a viabilidade do património cultural imaterial, incluindo a identificação, documentação, pesquisa, preservação, proteção, promoção, valorização, transmissão, essencialmente através da educação formal e não formal, bem como a revitalização dos diferentes aspetos desse património”.

 

A Feira dos Santos é considerada o principal evento de outono da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal, recebendo portugueses e espanhóis em perfeita comunhão, numa tradição secular.

 

Esta é uma feira com personalidade própria, que carrega séculos de história e tradição, congregando saberes, tradições e rituais, organizados ao longo do ano e que teimam em não se perder.

 

O vestuário, as louças, o calçado, as tasquinhas, o gado bovino, caprino e ovino, os produtos do campo, as maquinarias agrícolas, os parques de diversões e uma infinidade de outros atrativos prometem fazer as delícias dos visitantes.

 

O dia 1 de novembro (Dia dos Santos) é o dia principal e o dia 2 está destinado à “Feira das Trocas”. Assim se mantém a tradição de trocar os produtos adquiridos na véspera que por alguma razão não serviram.

 

Uma das marcas da feira são os frutos da época, sobretudo os famosos Perícos dos Santos. Os perícos, uma “pequena pêra”, são típicos de Valença e tem no concelho, para além da sua origem, as maiores áreas de produção.

 

A par dos perícos, as castanhas cruas ou cozidas, as nozes, as maçãs tardias e os dióspiros fazem as delícias de quem aprecia estes produtos.

 

 

[Fotografias: Município Valença]

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