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Caminha

Caminha: U2 chegaram, tocaram… e arrasaram em Vilar de Mouros – Foi há 40 anos [FOTOS]

3 Agosto, 2022 - 00:01

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Hoje são considerados por muitos a melhor banda do mundo. Há 40 anos eram uns miúdos… e surpreenderam no Alto Minho.

O Vilar de Mouros levava já 17 anos de existência, mas quem lá esteve dificilmente esquece aquele dia 3 de agosto de 1982. O festival de Caminha tinha nesse ano nove dias de duração. Começou no dia 31 de julho e só terminaria no dia 8 de agosto.

 

Pelo meio, tantos artistas que iriam passar pelo palco: Echo & The Bunnymen, Durutti Column, Mikis Theodorakis e nomes portugueses como Carlos do Carmo, Jáfumega, Adriano Correia de Oliveira, GNR ou Roxigénio estavam no cartaz.

 

 

Cartaz da edição de 1982 do Festival de Vilar de Mouros

[Fonte: DR]

 

 

O bilhete diário custava 400 escudos, enquanto que o passe para todos os espetáculos ficava por 1.300 escudos. Altamente vantajoso para um festival de nove dias.

 

O primeiro, o segundo e o terceiro dia do festival já lá iam. E o quarto estava quase a terminar. Os campistas ainda falavam da atuação dos Heróis do Mar e dos The Stranglers no primeiro dia. E no dia seguinte, passaram pelo palco a Orquestra Sinfónica e Vitorino de Almeida (sim! O Maestro!).

 

 

Uma das mais icónicas fotos captadas pelo Jornal de Notícias na memóravel edição de 1982 do Vilar de Mouros
[Fotografia: Arquivo/Jornal de Notícias]

 

 

Já era noite fechada. Faltava apenas uma banda para encerrar mais um dia de Vilar de Mouros. Diziam chamar-se U2 e eram irlandeses. Ganhavam cada vez mais fama no Reino Unido e conquistavam a Europa a toda a velocidade com o novo álbum lançado no ano anterior – o October.

 

Por cá… ainda passavam despercebidos.

 

 

A energia dos miúdos irlandeses

Os quatro amigos subiram ao palco. Lá atrás, Larry Mullen assumiu a bateria com a emblemática publicidade da Philips por trás do cabelo loiro.

 

Adam Clayton, sempre discreto, seguiu com o baixo para o lado esquerdo do palco. The Edge com a guitarra no lado oposto… e surge Bono, t-shirt branca sem mangas, calças de cabedal e botas, com joviais 22 anos de idade.

 

O jovem Bono, com apenas 22 anos, desde logo arrebatou a multidão

[Fotografia: DR]

 

 

O concerto arranca com o eletrizante tema Gloria. A interação de Bono começa a captar as atenções do público.

 

A banda continua o espetáculo e segue com os temas I Threw a Brick Through a Window; A Day Without Me; An Cat Dubh/Into the Heart; Rejoice; The Cry/The Eletric Co. e I Fall Down.

 

O público parecia estar a gostar dos rapazes. E Bono, claro, estava a adorar. Conta quem lá esteve que subia e descia as torres férreas que ladeavam o palco com uma facilidade incrível.

 

 

Bono nunca perderia o seu perfil interativo com o público

[Fotografia: DR]

 

 

Eis que The Edge solta os primeiros acordes de um tema que iria ficar para todos os concertos: I Will Follow. A multidão aplaudia e Bono finalizou com Out of Control.

 

No encore, tempo ainda para os temas Fire, A Celebration, 11 O’Clock Tick Tock e The Ocean.

 

Diz, quem os viu, que deram um dos melhores concertos de todo o festival e que ganharam entre os muitos presentes uma imediata primeira geração de admiradores.

 

 

Atuação dos U2 no Vilar de Mouros em 1982 marcaria para sempre a história do festival
[Fotografias: DR]

 

 

Alto Minho deixou marca em Bono

Podia ter sido uma passagem fugaz por Portugal, mais precisamente pelo Alto Minho. Mas não. Sobre o que fizeram durante o tempo em que não estiveram em palco, sabe-se que os jovens U2 beberam pela primeira vez o vinho verde da região.

 

Adoraram. Tanto assim é que anos mais tarde, já bem mais maduro, Bono viria a confessar publicamente que nunca esqueceu “o fantástico vinho verde” que tinha provado durante aquela passagem por Vilar de Mouros, conforme refere o portal AltoMinho.pt.

 

Para grande orgulho dos alto-minhotos, mais particularmente para a sub-região de Monção&Melgaço, os U2 voltariam a fazer uma escolha de boa memória durante a passagem da banda por Portugal em 2010: jantaram no Hotel Infante Sagres, no Porto. Pela mesa, contou o Jornal de Notícias, passou robalo. Para acompanhar… um verde Soalheiro – Primeiras Vinhas, 2009.

 

 

E depois de 82?

Depois desse mítico ano de 1982, os miúdos que passaram por aquele palco da sossegada localidade de Vilar de Mouros cresceram muito. Cinco anos depois, nasce With or Without You num álbum que os catapultaria definitivamente para a fama planetária: The Joshua Tree.

 

Voltariam a Portugal somente 11 anos depois, com a estrondosa digressão Zooropa Tour. E depois em 1997, 2005, 2010 e novamente em 2018. Esta última pela primeira vez em recinto fechado, no Altice Arena, em Lisboa.

 

O Vilar de Mouros também cresceu. Deixou o palco de sempre, que se manteria erguido como que relembrando que foi ali que um sonho começou… em 1965.

 

No início do mês passado, surgiu neste palco histórico um mural artístico, assinado por Alberto Rodrigues Marques, a homenagear o sempre eterno Zeca Afonso e Catarina Eufémia, jovem ceifeira alentejana assassinada pela GNR.

 

A placa que acompanha o Mural explica o próprio título da obra Sessenta e Oito e conta o seu enquadramento.

 

 

Mural artístico no antigo palco do Vilar de Mouros por onde passaram tantas bandas… entre elas, os U2

[Fotografia: Município Caminha]

 

 

“A linha temporal que está na base desta proposta é a quarta edição do Festival Vilar de Mouros, fazendo-nos recuar para 3 e 4 de agosto de 1968. O Doutor António Barge tinha pensado numa programação diferente para este ano, acrescentando à música tradicional das regiões do Alto Minho e da Galiza música de intervenção popular. Apontou nomes como Carlos Paredes e Zeca Afonso, bem como Luiz Goes e Adriano Correia de Oliveira. Durante o festival, mais propriamente na noite de 4 de agosto, estavam presentes, na plateia, o Governador Civil de Braga e o General da GNR para além de alguns agentes da PIDE disfarçados”, lê-se.

 

“António Barge sabendo muito bem que a música de intervenção era proibida, colocou a banda filarmónica da GNR, símbolo do Estado Novo, a tocar até à meia-noite, disfarçando os 4 artistas referidos e reservados para o final”, conta ainda a explicação.

 

“Na última atuação, Zeca Afonso homenageou, em palco, Catarina Eufémia, camponesa, ceifeira alentejana, assassinada a tiro a 19 de maio de 1954, após ter mobilizado outras catorze ceifeiras em torno de uma luta pelo direito a obter mais 4 escudos pelo trabalho realizado na ceifa. No decorrer desta ação de luta, a GNR foi chamada ao local acabando por matar de metralhadora, à queima-roupa, Catarina de apenas 28 anos, com 4 balas nas costas”, conclui.

 

 

[Fotografias capa: DR]

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