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Melgaço

Melgaço: Esta terá sido a ideia mais ‘luminosa’ de sempre – Surgiu há 109 anos

5 Junho, 2022 - 00:29

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Termas do Peso foram as primeiras a ver ‘a maravilha’.

Corria o ano de 1913. António Augusto Durães era administrador do concelho de Melgaço (1913-1914) e ambicionava luz elétrica para o concelho.

 

Segundo conta o professor e investigador Valter Alves no blog Melgaço Entre o Minho e a Serra, foi no mês de junho desse mesmo ano que veio a terreiro a ideia de instalar nas Termas do Peso “um cinematógrafo para a projeção de cinema e para isso precisava de energia elétrica”.

 

Bastaram dois meses para o sonho tornar-se realidade. Em agosto, Melgaço dava um passo de gigante no desenvolvimento tecnológico.

 

Inaugurou-se ontem [23 de agosto de 1913], no Peso, com extraordinária concorrência, este belo salão cinematográfico… É uma bela casa de recreio, dotada de todos os aperfeiçoamentos modernos e requisitos indispensáveis a edifícios desta natureza; profusamente iluminado a luz eléctrica e pintado com muito gosto artístico. Admira-se ali um magnífico piano-concerto accionado a electricidade, noticiou o jornal Correio de Melgaço na altura, segundo aquele blog.

 

 

Luz pública chega no ano em que Edison morreu

A luz elétrica pública só chegaria a Melgaço em maio de 1931. Curiosamente no ano em que o inventor da mesma Thomas Edison morreu [outubro].

 

Valter Alves apresenta a edição de 17 de maio desse ano do jornal Notícias de Melgaço, que relata a instalação da eletricidade em vários prédios desta estância: 500 lâmpadas no Hotéis Rocha, Quinta do Peso e filiais, no Parque e avenidas da empresa das Águas.

 

O periódico anunciava a inauguração para os primeiros dias de junho sendo a energia fornecida pela Companhia do Tambre com sede na vila de Noia, província da Corunha, Espanha.

 

Só que não há bela sem senão.

 

O avanço tecnológico dava ainda os primeiros passos… e os apagões eram frequentes. 

 

É raríssima a noite em que nesta localidade se conserve a luz eléctrica toda a noute sem por vezes se apagar, o que causa grandes prejuízos não só à casas particulares, como aos hotéis, casas de pensão e casas comerciais… Assim é que os hoteleiros e casas de pensão são obrigados a ter em depósito em sua casa de caixas de velas, conta o Notícias de Melgaço daquela altura.

 

 

Festas até às tantas da madrugada

Mas o progresso aconteceu. Conta o investigador que o emprego da eletricidade possibilitou a que se fizessem no balneário aplicações de diatermia, para o que foi adquirido um aparelho; ampliou-se também a secção de banhos carbo-gasosos.

 

O balneário ficou provido de um serviço completo de banhos de imersão, carbo-gasosos, duches escoceses e sub-aquáticos.

 

Em 1935 começou a direção clínica “a empregar sistematicamente as curvas glicémicas como meio de investigação dos efeitos das águas na diabetes”. E havia festas de caridade até altas horas da noite.

 

Com maior frequência o Parque, o Pavilhão das Águas, os salões dos hoteis se animaram com as galas de iluminações nocturnas, as harmonias de bandas de música e orquestras, a elegância dos bailes e a alegria das quermesses”.

 

Os candeeiros a gás começaram a desaparecer nesse mesmo ano de 1931. A luz elétrica estendeu-se a toda a vila. Para esta instalação, a Câmara Municipal pediu autorização à Secretaria Geral das Finanças, para contrair um empréstimo de 150 contos para financiar a operação.

 

A luz elétrica só chegaria à última aldeia de Melgaço já no século XXI.

 

 

[Fotografia: DR/Via blog Melgaço Entre o Minho e a Serra]

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