O Município de Valença iniciou as comemorações do 25 de Abril com uma homenagem, carregada de simbolismo, a Catarina Eufémia, evocada na pessoa do seu filho, o valenciano José Baleizão do Carmo.
A cerimónia assinalou o arranque do 52.º aniversário da Revolução dos Cravos, num momento de forte carga emocional e memória coletiva.
A iniciativa decorreu no Agrupamento de Escolas Muralhas do Minho e contou com a presença de José Baleizão do Carmo, empresário da restauração radicado em Cerdal há 47 anos, bem como do seu irmão.
Ambos receberam, das mãos do presidente da Câmara Municipal, José Manuel Carpinteira, um quadro evocativo que traduz o reconhecimento público do concelho e perpetua uma história de coragem e resistência.

[crédito fotografia: Município Valença]
O quadro retrata a figura de Catarina Eufémia, com o seu filho de 8 meses ao colo, José Baleizão do Carmo, no dia em que foi assassinada a 19 de Maio de 1954, há 72 anos.
Neste quadro o Presidente da Câmara, José Manuel Carpinteira deixou a mensagem: “À memória de Catarina Eufémia, símbolo maior da dignidade e da luta pela liberdade. Em Abril, evocamos a sua coragem e o legado que ajudou a construir, porque foi da resistência que nasceu a liberdade”.
Catarina Efigénia Sabino Eufémia nasceu em Baleizão, no Alentejo, a 13 de Fevereiro de 1928. Era uma ceifeira pobre e quase analfabeta que, durante uma greve de catorze mulheres assalariadas rurais, a 19 de Maio de 1954, foi assassinada a tiro por um tenente da Guarda Nacional Republicana.
Tinha 26 anos, três filhos, um dos quais de oito meses (ao seu colo quando foi baleada) e estava grávida de um quarto.
A sua trágica história acabou por personificar a resistência ao regime salazarista, sendo adoptada pelo Partido Comunista Português como ícone da resistência no Alentejo.
Dedicaram-lhe poemas autores como Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos ou Maria Luísa Vilão Palma.
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