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Valença

Valença: Filas de quilómetros na A3 e enchente em Cerdal – Eis a Feira dos Santos! [FOTOS]

1 Novembro, 2022 - 12:30

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Feira dos Santos.

“Já não há mais espaço!”. Assim dizia pelas 10h00 uma jovem, encarregada de orientar um dos parques de estacionamento, aos condutores que procuravam lugar o mais próximo possível da Feira dos Santos, na freguesia de Cerdal, em Valença.

 

O evento arrancou esta terça-feira e prolonga-se até ao dia de amanhã, quarta-feira.

 

A tradição não falhou. Logo às primeiras horas da manhã, a enchente começou. Milhares na feira e uma fila de quilómetros na A3. Ninguém queria falhar mais uma edição deste evento que este ano regressou em absoluta normalidade, sem a obrigatoriedade das máscaras de proteção individual.

 

 

 

Na A3, uma fila de quilómetros para chegar até Cerdal [fotografias: Rádio Vale do Minho]

 

 

 

Dia cheio de sol, rostos alegres pela multidão entre as bancas de uma Feira onde tudo ou quase tudo se vende. A inflação parece ter ainda pouco impacto. Os pregões vão gritando os preços redondos de sempre. “Calças de ganga a cinco euros! A cinco euros!”, ouvia-se. 

 

O perfume das castanhas espalhava pelo ar o aroma de Outono necessário a um evento tão acarinhado no Noroeste peninsular.

 

Na zona da restauração, ainda a três horas da hora de almoço a azáfama já era grande. Preparava-se o frango no churrasco e as mesas impecavelmente postas. Entretanto a multidão crescia... e começava a ser difícil progredir entre apertos e corredores cada vez mais repletos.

 

 

Veja a nossa galeria de fotos:

 

 

 

A caminho da elevação a Património Cultural Imaterial

Conforme avançou a Rádio Vale do Minho em primeira mão, a Feira dos Santos de Cerdal está a ser examinada esta terça-feira. Durante o dia, vão estar presentes no local elementos dos quadros técnicos da Direção-Geral do Património Cultural.

 

“Serão uma espécie de inspetores que vão verificar se, de facto, a feira tem tradições e aquele valor que julgamos ter para ser elevada a Património Cultural Imaterial”, explicou José Manuel Carpinteira à Rádio Vale do Minho.

 

“Eles irão andar pela feira. Vão ouvir as pessoas, tentando perceber o que é realmente a Feira dos Santos. Esperemos que corra bem”, prosseguiu.

 

E se “correr bem”, será certamente um importante passo do certame em direção à tão almejada classificação.

 

O que é preciso para a classificação de Património Imaterial Cultural?

Segundo a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, este inclui as tradições ou expressões vivas herdadas dos nossos antepassados e transmitidas aos nossos descendentes, tais como:

 

a) Tradições e expressões orais, incluindo a língua como vetor do património cultural imaterial;

b) Artes do espetáculo;

c) Práticas sociais, rituais e eventos festivos;

d) Conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo;

e) Aptidões ligadas ao artesanato tradicional.

 

Esclarece aquela Convenção que “Salvaguardar refere-se à adoção de medidas destinadas a assegurar a viabilidade do património cultural imaterial, incluindo a identificação, documentação, pesquisa, preservação, proteção, promoção, valorização, transmissão, essencialmente através da educação formal e não formal, bem como a revitalização dos diferentes aspetos desse património”.

 

A Feira dos Santos é considerada o principal evento de outono da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal, recebendo portugueses e espanhóis em perfeita comunhão, numa tradição secular.

 

Esta é uma feira com personalidade própria, que carrega séculos de história e tradição, congregando saberes, tradições e rituais, organizados ao longo do ano e que teimam em não se perder.

 

O vestuário, as louças, o calçado, as tasquinhas, o gado bovino, caprino e ovino, os produtos do campo, as maquinarias agrícolas, os parques de diversões e uma infinidade de outros atrativos prometem fazer as delícias dos visitantes.

 

O dia 1 de novembro (Dia dos Santos) é o dia principal e o dia 2 está destinado à “Feira das Trocas”. Assim se mantém a tradição de trocar os produtos adquiridos na véspera que por alguma razão não serviram.

 

Uma das marcas da feira são os frutos da época, sobretudo os famosos Perícos dos Santos. Os perícos, uma “pequena pêra”, são típicos de Valença e tem no concelho, para além da sua origem, as maiores áreas de produção.

 

A par dos perícos, as castanhas cruas ou cozidas, as nozes, as maçãs tardias e os dióspiros fazem as delícias de quem aprecia estes produtos.

 

Manda a tradição que nas noites de 31 de outubro e 1 de novembro a Feira dos Santos seja o destino para provar os vinhos novos e saborear os petiscos locais como os rojões, as moelas, as bifanas e o bacalhau, entre muitas outras iguarias.

 

Nas tasquinhas animam-se as noites, ao som das concertinas e soltam-se cantigas de desgarrada.

 

As corridas de cavalos, em passo travado, decorrem esta terça-feira, a partir das 14h30. Os emblemáticos cavalos garranos dão sempre um colorido especial à feira do gado que contará, ainda, com animais bovinos, caprinos e ovinos e uma ampla área de maquinaria agrícola.

 

 

[Fotografias capa: Rádio Vale do Minho]

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