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Ponte da Barca

País: Terá este homem nascido no Alto Minho? Investigadora lança novos dados

7 Agosto, 2022 - 16:16

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Entrou em rota de colisão com D. Manuel I… e colocou-se ao serviço de Castela.

Não há qualquer prova ou pista credível de que Fernão de Magalhães tenha nascido em Sabrosa, no distrito de Vila Real. A garantia é deixada pela investigadora e historiadora Irene Dantas na obra A Naturalidade de Fernão de Magalhães.

 

O livro nasceu como Tese de Mestrado em História. Em 2020, a autora toma a decisão de publicar a obra. Assim foi. No entanto, devido à pandemia da COVID-19, nunca chegou a ser oficialmente apresentada ao público. Vai acontecer no próximo dia 12 de agosto.

 

Entretanto, de então para cá, Irene Dantas – professora de História em Ponte da Barca – vai somando leitores, admiradores e críticos.

 

 

Irene Dantas, investigadora e historiadora

[Fotografia: DR]

 

 

A paixão pela escrita e pelos livros vem desde pequenina, no meio rural onde nasceu. Concretizou finalmente o sonho de lançar um livro.

 

Uma história que “não é um romance”, diz-nos desde logo como que se demarcando de outros autores, mas que se debruça sobre uma das personalidades mais misteriosas da História de Portugal.

 

Fernão de Magalhães, como quase todos aprendemos nos bancos da escola, foi um navegador português eternizado pela proeza da circum-navegação ao planeta entre 1519 e 1522. 

 

 

Onde nasceu?

Mas afinal de onde era natural este homem? Pelo menos três municípios reclamam esse estatuto: Ponte da Barca, Sabrosa e também o Porto.

 

Irene Dantas foi em busca de respostas. Correu arquivos e passou a pente fino documentação com centenas de anos. Para a investigadora, há uma conclusão que é desde logo evidente.

 

“As origens de Fernão de Magalhães são, com toda a certeza, barquenses. Se Fernão de Magalhães nasceu, efetivamente, em Ponte da Barca não o consigo afirmar”, disse de forma taxativa.

 

 

Estátua de Fernão de Magalhães em Ponte da Barca

[Fotografia: DR]

 

 

E Sabrosa, que tem também uma estátua em homenagem ao navegador? “Está completamente fora de hipótese”, atirou de imediato a historiadora garantindo que todos os argumentos apresentados até hoje assentam em “falsa documentação”.

 

No entanto existe o Porto onde a investigadora encontrou vários indícios de que o berço do navegador pode estar na Invicta.

 

 

Um traidor

Em 1514, Fernão Magalhães entrou em rota de colisão com o rei D. Manuel I. O navegador pediu um aumento de verbas, mas o monarca rejeitou. Desapontado, o navegador opta por colocar-se ao serviço do país vizinho.

 

Passou por Sevilha e colocou em cima da mesa o projeto de dar ao Rei de Castela a possibilidade de atingir as riquíssimas ilhas Molucas pelo Ocidente. O objetivo era simples: seguia por mares não reservados aos portugueses no Tratado de Tordesilhas e fazia intenção de provar que as Molucas estavam no hemisfério castelhano. 

 

O Rei de Castela, D. Carlos, evidentemente, aprovou. Do lado de cá, as reações não foram famosas.

 

«O Magalhães, no feito, com verdade, Português, porém não na lealdade», escreveria Luís Vaz de Camões, anos mais tarde, n’ Os Lusíadas.

 

“Sendo português, foi oferecer os seus serviços ao inimigo. Todo o feito dele foi realizado ao serviço da coroa castelhana… e isso não caiu bem aqui”, lembra a investigadora.

 

 

E o primeiro a dar a volta ao mundo foi…

Fernão de Magalhães não tinha qualquer intenção de fazer uma circum-navegação. Comprovado pelos mais diversos historiadores. O navegador teria somente a intenção de concretizar o projeto comercial que apresentou à coroa castelhana.

 

Mas acabou por falecer em combate, no ano de 1521, antes de concretizar a volta completa ao planeta.

 

 

A esquadra que saiu a 20 de setembro de 1519 de Sanlúcar de Barrameda, em Cádis, era formada pelas seguintes naus:

 

 

  • Trinidad, capacidade de carga de 110 toneladas, preço: 270.000 maravedis, tripulação: 62 homens, capitão: Fernão de Magalhães, timoneiro: Estevão Gomes, mestre: Giovanni Battista de Punzorol;
  • San Antonio, capacidade de carga de 120 toneladas, preço: 330.000 maravedis, tripulação: 57 homens, capitão: Juan de Cartagena, timoneiros: Andrés de San Martín e Juan Rodríguez de Mafra, mestre: Juan de Elorriaga;
  • Concepción, capacidade de carga de 90 toneladas, preço: 228.750 maravedis, tripulação: 45 homens; capitão: Gaspar de Quesada, timoneiro: João Lopes Carvalho, mestre: Juan Sebastián Elcano;
  • Victoria, capacidade de carregamento de 85 toneladas, preço: 300.000 maravedis, tripulação: 45 homens, capitão: Luis de Mendoza, timoneiro: Vasco Gallego, comandante: Anton Salamon;
  • Santiago, capacidade de carga de 75 toneladas, preço: 187.500 maravedis, tripulação: 33 homens, capitão e timoneiro: Juan Serrano, mestre: Balthasar, “o genovês”.

 

 

Três anos depois, a 6 de setembro de 1522, chegou a Sevilha o que restava desta expedição: uma nau com apenas 18 homens a bordo, comandados por Juan Sebastián Elcano.

 

 

 

A Naturalidade de Fernão Magalhães, de Irene Dantas

[Fotografia: Rádio Vale do Minho]

 

 

 

Cinco séculos depois, já nos nossos dias, Fernão de Magalhães é lembrado com um herói.

 

Deu nome ao Estreito de Magalhães. No espaço existe a Grande Nebulosa de Magalhães – uma galáxia anã satélite que orbita a Via Láctea. Há também as crateras de Magalhães na Lua e em Marte. Uma sonda espacial da NASA recebeu até o nome de Magellan.

 

A apresentação do livro A Naturalidade de Fernão de Magalhães, com a presença da autora, está marcada para o próximo dia 12 de agosto, sexta-feira, pelas 18h00, na Casa Vitória, em Ponte da Barca.

 

 

[Fotografia capa: DR]

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