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País: Seis anos sem o Pantera Negra – Portugal não esquece o maior entre os maiores [c/VÍDEO]

4 Janeiro, 2020 - 23:57

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Eusébio. O nome, só por si, fez tremer vários estádios na Europa e no mundo. Ainda Portugal estava a vários anos de tornar-se uma democracia, e já o Pantera Negra – assim lhe chamavam – encantava multidões. Arrebatava o público com os golos que marcava… ora pelo Benfica ora com a camisola de todos nós.

O país nunca tinha visto nada nem ninguém assim. Era um atleta fora de série.

Nascido em Lourenço Marques, Moçambique, a 25 de janeiro de 1942, Eusébio da Siva Ferreira começou por dar os primeiros pontapés na bola no bairro de Mafalala, em Maputo [na altura denominada Lourenço Marques]. E gostava tanto… mas tanto da bola que chegava a faltar às aulas para jogar futebol com os amigos. Descalço e em campos improvisados.

Aos oito anos viu o pai morrer com tétano. Ficou aos cuidados da mãe.

O talento para o futebol ia falando cada vez mais alto. Aos 15 anos jogava no Brasileiros Futebol Clube, em Moçambique. Decidiu então tentar inscrever-se n’ O Desportivo, filial moçambicana do Benfica. Não foi aceite. Disseram-lhe que tinha um problema num dos joelhos. Não desistiu e tentou o Sporting Lourenço Marques, filial do Sporting CP. E aí foi aceite onde jogou de leão ao peito.

O Benfica era então treinado por Bela Guttman. O técnico ficou a conhecer o talento do jovem Eusébio e desejou-o na turma da Luz. Mas o Sporting também queria o craque. A equipa de Alvalade tinha até já tudo acordado com Eusébio e com o Sporting Lourenço Marques para a transferência.

Só que o Benfica não desarmou. Esperou o jogador no Aeroporto de Lisboa e conta a história que terá sido encaminhado para um hotel. Corria o ano de 1960. Era ainda menor de idade. Foi a mãe quem assinou os documentos da transferência para… o Benfica.

Vestiu a camisola 10 das águias e entrou pela primeira vez em campo, na Catedral, a 23 de maio de 1961. Em partida amigável contra o Atlético, marcou três dos quatro golos que deram a vitória ao Benfica. Eusébio estava lançado.

Logo nessa primeira época ajudou o Benfica a conquistar a segunda Taça dos Campeões Europeus. Acabava aí a hegemonia do Real Madrid.

 

Inesquecível Jogo das Lágrimas

 

A convocatória para a Seleção Nacional não tardou a chegar. Estreou-se com as quinas ao peito a 8 de outubro de 1961. No entanto, ficou para a memória de todos o Campeonato do Mundo de 1966, jogado em Inglaterra. Nessa prova, Portugal chegou aos quartos-de-final e pelo caminho deixou a Coreia do Norte, Hungria e Brasil (com Pelé em campo).

A nossa seleção caiu apenas naquele que ficou conhecido como o Jogo das Lágrimas. Foi a 26 de julho desse mesmo ano, no Estádio de Wembley. Tudo começou a correr mal para os portugueses a partir dos 30 minutos quando Bobby Charlton apontou o primeiro golo.

Na segunda parte, os portugueses continuavam a não encontrar forma de pegar no jogo. Mas queriam tanto passar. Eusébio dava o que podia e o que não podia. Só que o suspeito do costume – Bobby Charlton – estava em dia sim… e fez o 2-0. O Pantera Negra desesperava. Acreditava.

Dois minutos depois… parou tudo. Grande penalidade a favor de Portugal. Eusébio não perdoou… e marcou! Todo um país a explodir de alegria. Ainda era possível! Eusébio foi buscar a bola. Fez um gesto de conforto ao guarda-redes adversário.

Faltavam oito minutos para o final. Mas a magia não aconteceu. E para sempre ficaram as imagens de um Eusébio a deixar o campo lavado em lágrimas. Fez ainda muitos mais jogos por Portugal até 19 de outubro de 1973, data da última internacionalização.

 

Final da carreira

 

Já perto do final da carreira, nas épocas 1976/77 e 1977/78, Eusébio jogou ainda no Beira-Mar (na então chamada I Divisão) e no União de Tomar (da II Divisão). Passou ainda pela liga norte-americana entre 1975 e 1977. Mas o Pantera Negra já não tinha a energia de outros tempos. Aposentou-se no final da temporada 1978/79. 

Continuou sempre ligado ao futebol… e ao Benfica. Fez parte da comissão técnica da Seleção Nacional Portuguesa e marcou presença nos maiores eventos desportivos, entre eles o Campeonato Europeu de Futebol de 2004, realizado em Portugal.

Morreu a poucos dias de completar 72 anos de idade, durante a madrugada do dia 5 de janeiro de 2014, vítima de insuficiência cardíaca. Pouco mais de um ano após a sua morte, a 3 de julho de 2015, os restos mortais de Eusébio foram trasladados para o Panteão Nacional.

É hoje considerado um dos melhores jogadores de futebol de todos os tempos na história da modalidade.

 

[Fotografia: Direitos Reservados]

 

Recorde as imagens da dramática meia-final do Campeonato do Mundo de 1966 entre Inglaterra e Portugal

 

 

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