Aconteceu esta terça-feira, na Póvoa de Varzim. Um dia depois do arranque da demolição da Praça de Touros, já desativada, surgiram dois envelopes no edifício-sede da Câmara Municipal daquele concelho.
Um era dirigido ao Presidente da Câmara, Aires Pereira. O outro ao Vice-Presidente, Luís Batista. Segundo conta a autarquia em comunicado divulgado nas redes sociais, os conteúdos eram iguais, quer no objeto, quer na dedicatória. No interior de cada envelope, uma bala e uma mensagem.
“Não é uma ameaça, muito menos um aviso, é uma previsão. Ou uma destas na testa. A vossa escolha é fácil. Não vamos gastar mais munições com envelopes”, lê-se, segundo cita a autarquia.
Houve ainda um terceiro envelope de conteúdo semelhante. Apareceu na clínica onde trabalha o Presidente da Assembleia Municipal daquele concelho.
Praça de Touros da Póvoa de Varzim começou a ser demolida
[Fotografia: Arquivo/jornal Voz da Póvoa]
“Não nos antecipando às conclusões a que as perícias laboratoriais conduzirão, adiantamos o que aos poveiros mais atentos parece óbvio: que esta tresloucada ameaça, absolutamente imprópria em meios civilizados e democráticos, não é mais que a tentativa desesperada de uma minoria de impedir a concretização de uma deliberação legitimada pelo voto (explicitamente assumida nas candidaturas autárquicas vencedoras em 2017 e 2021) e sancionada pela instância judicial junto da qual a minoria contestatária interpôs providência cautelar”, lê-se no comunicado divulgado pelo Município.
“Inconformada com a rejeição do seu propósito (e indiferente ao facto de, com manobras dilatórias, ter atrasado em dois anos o arranque da empreitada, lesando o erário municipal com todo o acréscimo de encargos financeiros daí decorrentes), a minoria contestatária, que nas redes sociais se não inibe de exibir a sua “cultura” de ódio às instituições e a quem as dirige, vem agora, com esta ameaça, confessar quanto despreza não só a vida pessoal, mas igualmente as instituições que não acolhem as suas preferências culturais marginais”, prossegue.
“Indiferentes às ameaças, e empenhados como sempre em honrar os compromissos que submeteram a sufrágio eleitoral e que colheram alargadíssimo consenso nos órgãos autárquicos municipais, os visados pela ameaça reafirmam que nada os demoverá do propósito de substituir um espaço anacrónico e de esporádica utilização por um palco de permanente promoção da arte e da cultura, reforçando este vetor estratégico de desenvolvimento da cidade”, reitera o Município da Póvoa de Varzim.
Segundo o jornal Cidade Hoje, a antiga Praça de Touros vai dar lugar a um pavilhão multiusos. Trata-se do Póvoa Arena. Vai destinar-se a eventos culturais, feiras, congressos e atividades desportivas. Vai ter uma capacidade máxima para três mil pessoas.
Trata-se de um investimento a rondar os 9 milhões de euros.
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