PUBLICIDADE
3
AVANÇAR

Menu

+

0

0

Destaques
Mundo

Mundo: Primeira pandemia foi há 1.500 anos – E as semelhanças são impressionantes!

17 Maio, 2020 - 14:56

424

0

PUB Corria o ano de 541 d. C. O nosso país, tal como o conhecemos hoje, ainda não existia como é evidente. O Vale do Minho estava dentro de uma […]

PUB

Corria o ano de 541 d. C. O nosso país, tal como o conhecemos hoje, ainda não existia como é evidente. O Vale do Minho estava dentro de uma região chamada Galécia. Um território que abrangia a atual região norte de Portugal e da Galiza, Astúrias e Leão, na Espanha.

A Galécia encontrava-se então sob o domínio dos suevos, povo germano que tinha entrado na Península Ibérica em 409 d. C. Acabaram por fundar o seu reino precisamente na área que abarcava toda a Galécia. Estabeleceram como capital Bracara Augusta (atual Braga) e tinham como cidades principais Portus Cale (Porto), Lucus Augusta (Lugo) e Asturica (Astorga).

O reino suevo era tão vasto que se estendia para lá de Coimbra. Mais a sul estavam os visigodos com quem os suevos mantinham constantes atritos.

 

“Espalhou-se e alimentou-se de todas as vidas humanas”

 

Foi então que aconteceu o inesperado. Uma doença desconhecida começou a espalhar-se pelo mundo inteiro. Os testemunhos foram deixados pelo historiador Procópio de Cesareia que presenciou ao vivo a desgraça do povo.

Os primeiros casos, conforme contou Jordina Sales Carbonell, pesquisadora da Universidade de Barcelona, à edição brasileira do jornal espanhol El País, surgiram no Egito.

A infeção expande-se de modo rápido e letal. Os povos da altura desconheciam completamente do que se tratava, mas sabe-se hoje que era o temível vírus Yersinia pestis. [Esse mesmo! Regressaria séculos mais tarde para voltar a dizimar a população mundial entre 1347 e 1353].

“Foi declarada uma epidemia que quase acabou com todo o gênero humano da qual não há forma possível de dar nenhuma explicação com palavras, sequer de pensá-la, a não ser nos remitir à vontade de Deus”, escreveu o historiador bizantino.

“Essa epidemia”, continuou, “não afetou uma parte limitada da Terra, um grupo determinado de homens e se reduziu a uma estação concreta do ano […], e sim espalhou-se e alimentou-se de todas as vidas humanas, por diferentes que fossem as pessoas das outras, sem excluir naturezas e idade”. Desse modo, a doença não tinha limites, “até aos extremos do mundo, como se tivesse medo de que algum recanto escapasse”.

 

Confinamento foi total… economia desabou

 

Conta a investigadora que, um ano após ser detetada, a peste chegou à capital do Império, Bizâncio (atual Istambul). Foram quatro meses debaixo do pesadelo.

“O confinamento e o isolamento eram totais”, descreve Sales Carbonell ao El País, “já que era mais do que obrigatório aos doentes. Mas também se impôs uma espécie de autoconfinamento espontâneo e intuitivamente voluntário para o restante, em boa parte motivado pelas próprias circunstâncias”.

“Não era nada fácil ver alguém nos locais públicos, pelo menos em Bizâncio, uma vez que todos os saudáveis ficavam em casa, cuidando dos doentes e chorando os mortos”, escreveu Procópio.

Com todas as atividades paradas e todos os artesãos em casa, o que aconteceu a seguir foi de certa forma previsível. A economia do império entrou em colapso.

“Parecia muito difícil conseguir pão e qualquer outro alimento, de modo que, para alguns doentes, o desenlace final da vida foi sem dúvida prematuro, pela falta de artigos de primeira necessidade”, escreveu o historiador no livro História das Guerras.

“Muitos morriam porque não tinham quem cuidasse deles”, já que as pessoas responsáveis pela emergência “caiam esgotadas por não poder descansar e sofrer constantemente. Por isso, todos se compadeciam mais delas do que dos doentes”.

 

Pessoas tinham mesmo de ficar em casa… Guardas nas ruas

 

O imperador Justiniano, preocupado e até desesperado com uma pandemia a destruir todo o império, distribuiu pelotões de guardas por todas as ruas. Ordenou que todos os corpos fossem sepultados.

A mortalidade disparava para números nunca vistos. De acordo com dados da investigadora, eram de 5.000 a 10.000 mortos por dia. Mesmo os ilustres, lembra Procópio, “permaneceram insepultos durante muitos dias”, de modo que “os corpos se amontoaram de qualquer maneira nas torres das muralhas”. Não havia tempo para cortejos e rituais funerários para eles.

 

Uma nova página

 

A concluir Jordina Sales Carbonell, cita um facto curioso. Após quatro anos, a pandemia foi mesmo superada e trouxe um aspeto positivo escrito por Procópio.

“Os que haviam sido partidários das diversas fações políticas abandonaram as críticas mútuas. Mesmo aqueles que antes realizavam ações baixas e malvadas deixaram, na vida diária, toda a maldade, uma vez que a necessidade imperiosa lhes fazia aprender o que era a honradez”.

Para a especialista, estas palavras escritas há 1.500 anos fazem-nos vislumbrar “o otimismo e a esperança de que talvez nos permitam seguir em frente e não voltar a tropeçar novamente na mesma pedra”.

 

[Imagem: Pandemia 541 d.C / Direitos Reservados]

 

PUB

 

Últimas