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Vale do Minho

Monção, Melgaço, Valença, Caminha, Coura acordaram de ‘branco’ – Foi há 35 anos [FOTOS]

14 Janeiro, 2022 - 00:00

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Corria o dia 14 de janeiro de 1987 quando todo o País acordou para uma data bem diferente do habitual.

Aconteceu a 14 de janeiro de 1987. Foi o último grande nevão de que há memória em Portugal. Ainda maior do que aquele que ocorreu a 9 de janeiro de 2009.

 

Para incredulidade dos portugueses, o país acordou pintado de branco. Mas todo o país mesmo, incluindo todo o Vale do Minho. Até as praias!

 

Cidades e vilas pararam. Ora era a neve que dificultava os transportes… ora era o povo que queria sair à rua e ver todo aquele acontecimento raro. Tão raro que já nem havia memória em cada concelho.

 

Escolas encerradas… e muitas crianças nas ruas a tocar e a brincar com algo que muitas só tinham visto no cinema e na televisão. Várias lojas também fecharam nesse dia. A vontade era mesmo passear. Fotografar e contemplar a paisagem.

 

Eram tempos das máquinas analógicas. Os telemóveis ainda estavam longe. Os mais sortudos exibiam rolos de 24 ou 36 fotografias que tinham sobrado de alguma ocasião anterior. Outros corriam para lojas de revelação de fotografia na esperança de comprar o rolo para eternizar o momento.

 

 

Deu-la-Deu de um branco imaculado

Em Monção a neve caía com intensidade. As escolas fecharam devido às condições atmosféricas adversas.

 

“Eu estava na altura no 5º ano de escolaridade e estava em casa doente”, recordou o presidente da Câmara Municipal de Monção, António Barbosa, à Rádio Vale do Minho. Ainda miúdo, o pequeno António ficou espantado com o que viu pela janela do quarto.

 

 

A emblemática Praça Deu-la-Deu, em Monção, no dia 14 de janeiro de 1987
[Fotografias: DR]

 

 

“Toda aquela neve na Praça Deu-la-Deu e por toda a vila foi um encanto. E isso traz-nos essas memórias. Mas tudo é passageiro e rápido… e é por isso que digo às crianças que se preparem. Um dia serão elas que estarão nestes nossos lugares. Espero que possam ter então também boas recordações como esta”, disse o autarca monçanense.

 

Mas o pequeno António estava com azar. Adoentado, não pôde aproveitar muito esse dia diferente na terra que o viu nascer. “Lembro-me que um colega meu de escola chegou mesmo a cair e a partir os dentes ao tentar patinar no gelo”, concluiu com uma gargalhada.

 

No concelho vizinho de Melgaço, o cenário não era diferente. Com estradas intransitáveis, lojas e várias empresas fechavam as portas. O povo, esse, passeava na rua encantado com um dia que ficou para sempre.

 

 

Passadeira branca em Valença até Espanha

Em Valença, todos também boquiabertos com o nevão que se tinha abatido sobre o concelho e tudo à volta. Ainda não existia a famosa rotunda da Trapicheira, mas o trânsito circulava espantado com a passadeira branca que se estendia até Espanha. 

 

 

Centro de Valença coberto de neve no dia 14 de janeiro de 1987
[Fotografia: DR]

 

Completamente pintado de branco, o Jardim Municipal de Valença também deslumbrava tudo e todos. Com cuidado e a tentar evitar escorregadelas, o povo lá passeava pelas ruas naquela quarta-feira diferente. “Adorava acordar assim novamente”, confessou um outro internauta.

 

 

Batalhas nevais e “sku” no centro de Coura

Em Paredes de Coura, os alunos que prosseguiam estudos depois do 9º ano tinham de apanhar todos os dias o autocarro que os levava à Escola Secundária de Arcos de Valdevez.

 

Cecília Pereira, hoje professora, era um desses casos. Tinha então 16 anos quando saiu à rua e viu a vila totalmente coberta de neve. “Não pudemos ir às aulas nesse dia. A neve cortou estradas e os autocarros não puderam circular”, contou à Rádio Vale do Minho.

 

 

Em Paredes de Coura, jovens estudantes divertiram-se num dia diferente
[Fotografia: Grupo FB Terra Amada / DR]

 

 

E como Cecília também vários jovens courenses que frequentavam a escola do concelho vizinho tiveram um dia de férias… inesperado. “Passamos o dia a divertir-nos. Fomos todos para o centro da vila onde fizemos um boneco de neve” [na foto], prosseguiu a docente.

 

“Arranjamos depois a câmara de um pneu… cortamos… e fizemos sku!”, recordou com um sorriso. “Atiramos bolas de neve uns aos outros… autênticas batalhas nevais!”.

 

 

Neve beijou o mar em Vila Praia de Âncora

Em Vila Praia de Âncora, no concelho de Caminha, o cenário foi ainda mais surreal. Numa localidade costeira, a areia da praia deu lugar a um extenso manto branco.

 

Incrédulas, as crianças mostravam-se a rebentar de felicidade ao assistir a um cenário que só conheciam através de filmes ou de histórias infantis.

 

As aulas foram canceladas. Os professores, condescendentes, deixaram as crianças ir brincar para a neve nos respetivos recreios.

 

Veja a neve em Vila Praia de Âncora no dia 14 de janeiro de 1987

 

 

 

Caminha mascarada de aldeia do alto da serra

Se nem Vila Praia de Âncora escapou à neve, os concelhos vizinhos também não. Vila Nova de Cerveira e Caminha também acordaram para um branco imaculado. Neste concelho, a partir de uma janela com vista para a Praça Municipal, alguém fez uma fotografia que ficou para a história.

 

 

Praça do Município, em Caminha, coberta de neve no dia 14 de janeiro de 1987
[Fotografia: DR]

 

 

Telhados brancos a perder de vista, como se de uma terra a grande altitude estivéssemos a falar. Só que não. Era Caminha.

 

Por todo o distrito de Viana do Castelo os efeitos do nevão foram fazendo sentir-se ao longo do dia. Fenómeno semelhante, conforme referimos, só viria acontecer a 9 de janeiro de 2009 e mesmo assim – nestes concelhos – não com tanta intensidade como o nevão de 1987.

 

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