Dezenas de pessoas marcaram presença este sábado na cerimónia de inauguração de um novo mural, na Rua Plácido de Abreu, próximo do Tribunal.
Tem 11 metros de altura e oito de largura.
A obra é um retrato de João Verde. Foi concebida como homenagem aos 160 anos do nascimento deste poeta, jornalista e nome maior das letras monçanenses.

[crédito fotografia: Rádio Vale do Minho]
Tem a assinatura de Daniel Eime. Com 40 anos de idade, é um conceituado artista visual e de rua português. Natural das Caldas da Rainha, é especialista na técnica de stencil.
Reconhecido pelos seus murais de grande escala, Eime mistura stencil, dripping e realismo para criar retratos detalhados e enigmáticos, muitas vezes focados em rostos do quotidiano.
O autor não esteve presente na cerimónia deste sábado. No entanto, foi dito ao público que Daniel Eime “está muito grato ao Município por mais esta obra em espaço público e espera que obra venha a criar laços de afetividade com a população”.

[crédito fotografia: Rádio Vale do Minho]
Visivelmente orgulhoso, o Presidente da Câmara, António Barbosa, explicou desde logo que a escolha do local tem a ver não só com a superfície ideal para a obra mas também porque aquela rua “era uma das mais movimentadas de Monção noutros tempos”.
“Esta obra é mais um sinal de que esta zona de Monção não está esquecida. Sinal que se junta à colocação de floreiras” e de outros equipamentos protetores do meio ambiente.
O objetivo principal, acrescentou ainda António Barbosa, é “tornar Monção um espaço de visitação permanente”.

[crédito fotografia: Rádio Vale do Minho]
Sobre João Verde
Nasceu com o nome de José Rodrigues Vale, no dia 2 de novembro de 1866, em Monção. Foi secretário da Câmara Municipal de Monção, desde 22 de julho de 1891 até à data do seu falecimento.
A vida literária de João Verde distribuiu-se pela criação poética em verso e em prosa e pelo jornalismo, publicando textos seus nos jornais “Aurora do Lima”, “A Terra Minhota”, “Alto Minho”, “Monsanense” e “Independente”. Em 1901, funda “O Regional” (1901 – 1918).
João Verde estreou-se na poesia com a publicação de “Musa Minhota”, 1887, seguindo-se “N`Aldeia”, 1890.
A sua obra mais conhecida, “Ares da Raia”, foi impressa em Vigo e lançada em 1902. A tiragem foi de 700 exemplares, 500 para Portugal e 200 para a Galiza. Por incluir dois poemas em galego, João Verde foi inscrito, mais tarde, na catedrática Santiago de Compostela como o XV poeta galego. Esta publicação reúne duas dúzias de poemas repartidos por cinco capítulos.
Entre estes, ficou para sempre o emblemático poema que quase todos os monçanenses recitam de cor e salteado, intitulado “Vendo-os assim tão pertinho”.
«Vendo-os assim tão pertinho,
A Galiza mail’o Minho
São como dois namorados
Que o rio traz separados
Quasi desde o nascimento.
Deixalos, pois, namorar
Já que os pais para casar
Lhes não dão consentimento»
João Verde continua vivo na memória de todos os monçanenses através das reedições em poesia e prosa das suas obras, do busto em bronze e mural com o referido poema , na Avenida General Humberto Delgado, conhecida como Avenida dos Néris, do nome atribuído à principal sala de espetáculos de Monção, Cine Teatro João Verde, bem como na designação da ponte internacional entre Monção e Salvaterra de Miño: Ponte Internacional João Verde/Amador Saavedra.
O poeta faleceu a 7 de fevereiro de 1934, em Monção. Tinha 67 anos.
O novo mural vai ser inaugurado no próximo sábado, pelas 12h00, após a Sessão Solene do 25 de abril.
[crédito fotografia capa: Rádio Vale do Minho]
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