Cada vez menos. Cada vez mais cara. Cada vez mais em risco de deixar de existir no rio Minho. É este o cenário traçado à Rádio Vale do Minho por Augusto Porto, pescador profissional, sobre a lampreia.
“O rio Minho está totalmente infetado com espécies exóticas, sobretudo a carpa [Cyprinus carpio] que se alimenta das crias do ciclóstomo e impede-as de chegar ao mar”, explicou.
“Há dias, vi uma imagem obtida pelas autoridades espanholas em que – num pequeno troço do rio – estavam cerca de seis mil carpas”, prosseguiu.
Lampreias vêm desovar ao rio Minho, mas carpas estarão a devorar crias antes que cheguem ao mar

[crédito fotografia: ilustrativa/DR]
Podem existir “centenas de milhar” de carpas
Para além deste predador, existem também aves que em tempos não procuravam alimento naquelas águas. Somam-se as barragens e as constantes alterações resultantes da mão humana.
“Poderão exisitir nesta altura centenas de milhar de carpas no rio Minho. O rio Minho está totalmente infetado”, reiterou.
O que pode acontecer? Para Augusto Porto, a lampreia não é ainda um animal em vias de extinção.
“Pode é, a curto prazo, deixar de entrar no rio Minho. Se nada fizermos para recuperar o rio, a lampreia terá de encontrar outro habitat”, avisa.
Lampreias podem deixar de entrar no rio Minho

[crédito fotografia: ilustrativa/DR]
“Mesmo que não existisse nenhum pescador o problema iria continuar”
A pesca profissional deste ciclóstomo arrancou no passado dia 5 de janeiro.
“Já chegamos a ser 300 pescadores. Hoje somos menos de metade”, lamentou.
“E posso assegurar que, mesmo que não existisse nenhum pescador no rio Minho, o problema iria continuar. O rio Minho está repleto de animais que não deviam estar lá”, disse.
Os preços refletem a forma como corre a safra. Em Caminha, na foz do rio Minho, oscilam entre os 90 e os 100 euros.
Porém, chegaram relatos à Rádio Vale do Minho de agentes da restauração de Melgaço a quem pediram 130 euros por exemplar.
A safra da lampreia no rio Minho vai prolongar-se até à primeira semana de Abril.
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