Abandonada há quase quatro décadas, antiga central hidroeléctrica de Covas, na margem direita do rio Coura, ganha uma segunda vida, a partir deste sábado, como ponto de referência, sobretudo para quem pratica o turismo de natureza.
Depois da recuperação do edifício e do que resta ainda da maquinaria, numa parceria entre a Junta de Freguesia e a EDP, que contou com o apoio da Câmara Municipal de Cerveira, no dia em que se completam 101 anos sobre a inauguração desta estrutura, vão ser colocados três painéis informativos com imagens e texto que contam a história daquela que foi a primeira central hidroeléctrica do Alto Minho.
O presidente da Junta de Freguesia de Covas recorda que o edifício foi vandalizado e alvo de pilhagens, mas a importância histórica que representa para o concelho e para a região levou ao desenvolvimento deste projeto, com o propósito de lhe dar uma nova funcionalidade, ligada ao turismo.
Segundo, Rui Esteves, os três painéis contam todos os pormenores de como a luz chegou à região.
O edifício é de acesso fácil e localiza-se no trajecto de um trilho pedestre, relacionando-se com a outra margem por um pontão. Fica nas imediações da EN 301, no sentido Covas-Caminha e a partir deste sábado poderá ser alvo de vistas, existindo também a perspectiva de no futuro receber visitas guiadas.
Rui Esteves garante que quem se deslocar ao local noutras ocasiões, pode mesmo assim ver o interior da velha central, através de um espaço envidraçado.
Inaugurada em 2 de Fevereiro de 1912, a Central de Covas foi a primeira central hidroelétrica do Alto Minho e uma das pioneiras na alvorada da eletrificação nacional. Propriedade da Hidroelétrica do Coura, empresa da família caminhense Lourenço da Cunha, levou a “luz do progresso” a Caminha (1912), Viana do Castelo (1915), Vila Nova de Cerveira (1920), Ponte de Lima (1923) e Paredes de Coura (1937).
Foi desativada em 1974 com a entrada em funcionamento da Central Hidroelétrica de France, quando foi construída uma terceira barragem sensivelmente no mesmo local do primitivo açude. No ano seguinte, a Hidroelétrica do Coura foi nacionalizada para em 1976 ser integrada na Eletricidade de Portugal (EDP).
Servida pelas generosas águas do rio Coura, conduzidas por um canal com um quilómetro de extensão e depois precipitadas de uma altura de 25 metros, a Central de Covas, da Hidroelétrica do Coura, entrou em funcionamento em 1912 com uma só turbina Francis de 170 cv.
Nos anos quarenta do século XX, para uma potência instalada de 1080 kw, acolheria três grupos geradores num total de 960 cv. Aqui trabalharam ao longo de décadas dezenas de trabalhadores, muitos oriundos ou residentes na freguesia de Covas, reproduzindo o modelo familiar que caracterizava a empresa, em que lugares e obrigações passavam de pais para filhos constituindo verdadeiras dinastias, como os Moreira e os Gameiro. Em turnos de funcionamento ininterrupto, eram eles que lidavam com as dificuldades causadas pelo excesso ou falta de água na barragem, ocasionais desmoronamentos no canal de condução e os problemas dos maquinismos produtores e reguladores da eletricidade.
Este sábado, pelas 14h00, a freguesia de Covas ganha mais um ponto de interesse, um espaço visitável, com a antiga central hidroeléctrica de Covas adaptada a turismo.
Comentários: 0
0
0