Uma delegação com duas dezenas de dirigentes associativos da região de Entre Douro e Minho vão até Lisboa na próxima segunda-feira, para uma ação de protesto junto à Assembleia da República e da residência oficial do Primeiro-ministro.
A ação surge na sequência de uma deliberação do Conselho de Presidentes da CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), que aprovou por unanimidade a reivindicação de um pacote financeiro extraordinário de 140 milhões de euros em medidas de apoio ao setor. Segundo a organização, esse valor é necessário para assegurar a competitividade da produção nacional.
“Os agricultores portugueses foram afetados no último ano por sucessivos aumentos no custo do gasóleo, fertilizantes, rações e restantes fatores de produção, num ano em que as ondas de calor afetaram a produção agrícola e exigiram mais despesa e trabalho com a rega das culturas”, disse à Rádio Vale do Minho Helena Ramos, dirigente associativa de Paredes de Coura.
Feitas as contas, “o gasóleo agrícola aumentou 70 cêntimos e houve apenas uma ajuda de 10 cêntimos”.
“As nossas associações subscrevem o alerta lançado pela CAP em relação à perda progressiva da soberania e segurança alimentar em Portugal. Nos últimos 5 anos, o défice da balança agroalimentar portuguesa quase duplicou de 3,5 para 6,2 mil milhões de euros e mais de metade desse défice ocorreu na relação com Espanha”, afirma.
Durante a concentração no Parlamento, a comitiva pretende entregar o documento de reivindicações ao presidente da Assembleia da República e aos representantes das bancadas do PSD, Chega, PS, IL e CDS. O documento será posteriormente entregue na residência em São Bento.
A entrega da carta de exigências será acompanhada por um cabaz com produtos alimentares representativos da agricultura portuguesa. Segundo a CAP, o gesto pretende assinalar o risco de quebra na produção de determinados bens devido às atuais condições económicas do setor.
“É fundamental que os agricultores portugueses possam ter condições equivalentes às que existem em Espanha para poderem competir em situação de igualdade com os agricultores espanhóis”, defende Helena Ramos.
“Apoiar a agricultura é apoiar um setor estratégico que garante a ocupação do território. Ao cultivar a terra e criar animais, os agricultores produzem alimentos e dão um contributo essencial para manter o mundo rural vivo e os incêndios mais afastados das povoações”, conclui.
A CAP agrega associações que representam cerca de 250 mil produtores agroflorestais em todo o país.
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