Heróis nacionais não devem ser esquecidos. Sobretudo na terra onde nasceram. Assim aconteceu este domingo, na freguesia de Paderne, em Melgaço.
Foi naquela localidade que, em 1938, nasceu o Major Piloto-Aviador António Lobato, atualmente considerado herói nacional e nome maior na Força Aérea Portuguesa.
No dia 22 de maio de 1963, em plena Guerra Colonial, sobrevoava a zona de Catió, na Guiné. Subitamente, o avião que pilotava – um Dornier Do-27 – sofreu uma avaria. O Major teve de fazer uma aterragem de emergência em pleno território inimigo.

[crédito fotografia: DR]
Não tardou até ser capturado por guerrilheiros do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Passou cerca de 7 anos e meio como prisioneiro na Guiné-Conacri, sobrevivendo a condições miseráveis, ferimentos graves e tentativas de fuga frustradas. Por cá chegou a ser dado como morto.
Foi libertado em novembro de 1970 durante a Operação Mar Verde, uma operação militar secreta portuguesa para resgatar prisioneiros.
Após o regresso, continuou a servir na Força Aérea Portuguesa até 1981, mantendo a sua paixão pela aviação. Faleceu a 8 de março de 2024, na situação de reforma.
Veja a galeria [crédito: Rádio Vale do Minho]
“É uma homenagem justissima a um homem natural desta freguesia de Paderne. Deixa-nos um legado que merece ser recordado. Feliz do povo que sabe recordar os seus. Aqueles que por uma razão ou outra se distinguiram”, disse aos jornalistas o Presidente da Câmara, José Albano Domingues.
“Tal como a generalidade dos melgacenses, o Major António Lobato soube demonstrar a nossa garra. Dignificou esta terra. Levou o nosso nome mais longe”, acrescentou.
Durante a cerimónia foi descerrada, na envolvente do Convento de Paderne, uma placa em memória do ilustre piloto.
Em 1995, António Lobato publicou o livro Liberdade ou Evasão, onde relata a sua experiência e resistência no cativeiro.









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